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Cult +

O Abstrato Mundo de Matthew Barney

Postado por Alisson Prando / 3 October, 2016

Ambicioso, performativo, escultural e talentoso. São alguns dos adjetivos que podem percorrer e descrever a obra de Matthew Barney, artista norte-americano, escultor e performer – diga-se de passagem, um dos mais importantes e vanguardistas do século 20.

Hoje aos 49 anos, Barney já foi casado com Björk, um dos maiores ícones POP do mundo, e fez sua fama através de obras como o ‘Ciclo Cremaster’, ‘Drawing Restraint 9’ e ‘No Restraitant’. Se você ainda não é familiarizado com o seu trabalho, a What Else Mag decupou e dissecou nas linhas abaixo os principais momentos da carreira de Barney:

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O Início da Carreira e a Universidade de Yale

Nem sempre Barney foi um artista e performer público. Durante os anos 80, Matthew Barney cursou Artes na Universidade de Yale, onde também foi recrutado para ser jogador de um dos times de Futebol. Alguns anos antes de se tornar acadêmico, Barney foi modelo de marcas como J. Crew e a Macy’s. O trabalho ajudou o jovem Matthew a custear sua vida durante os cinco anos que passou em Yale. Sobre essa fase, ele declarou em uma entrevista ao New York Times: “Você podia sair e entrar de você mesmo e se deixar ser usado como uma arara para casacos ou um fantoche, especialmente no sentido da performance: deixar o seu corpo ser usado como uma ferramenta, deixar o corpo no trabalho e não necessariamente ocupá-lo quando você estivesse atuando”.

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Performance e Arte

Em 1987, aos 20 anos, uma de suas obras mais famosas, ‘Drawing Restraint 7’ já estava sendo feita. Aos 24 anos, Matthew Barney foi capa da Revista Artforum, quando também estava fazendo sua primeira exposição solo em New York, na Barbara Gladstone Gallery. Em 1991, o artista expos sua obra no Museu de Arte Moderna de São Francisco. Em 1993, o performer recebe o prêmio Aperto Prize da Bienal Veneza. Em Yale, Matthew Barney quase formou-se como médico cirurgião, mas decidiu abandonar a carreira e seguiu como artista.

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Cremaster Cycle e Blind Perineum

Várias obras do performer versam com a biologia e anatomia humana. ‘Cremaster Cycle’, por exemplo, trata-se de uma série de performances documentadas em vídeos com criaturas pós-humanas, onde o próprio Barney participa da obra não sendo apenas seu criador – cremaster é um musculo localizado no escroto, responsável pela temperatura dos testículos.

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‘Blind Perineum’ (o períneo é o tecido que fica entre o ânus e o órgão genital), de 1991, mostra Barney nu navegando pelo teto de uma sala utilizando barras de metal e picadores de gelo – essa performance foi realizada na Gladstone Gallery e documentada em vídeo. Foi o primeiro ato performático do então modelo Matthew Barney. À época, a economia não ajudava o mercado de arte, mas com suas conexões de Yale, boa aparência e trabalho criativo, Barney cunhou seu nome pelas galerias do mundo.

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Para ‘Cremaster’, o artista utilizou diferentes materiais para criar seu mundo e as esculturas que dele fazem parte, desde halteres feitos de tapioca, um banco feito de vaselina, uma sela espelhada e cadeiras de nylon com encostos turvos, que só seria confortável se um contorcionista se sentasse. O trabalho então desdobra-se em vídeos, fotografias, livros, exposições que não são mais e nem menos importantes que as próprias performances em si, são desdobramentos estratégicos delas. Para Barney, todas essas são expressões em diferentes formas da mesma ideia.

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Uma das características mais presentes no trabalho de Matthew Barney é uma espécie de estética pós-humanista, ou talvez animalista, como seria o gosto de Paul B. Preciado, filósofo espanhol transgênero. Em seu texto ‘O Feminismo Não é Um Humanismo’, x filósofe provoca o leitor para o inimaginável: um mundo onde o gênero não existiria. Pois Barney, em seu ‘Cremaster Cycle’ dá luz ao mundo de Preciado. Os personagens explorados no universo ‘Cremaster’ não são femininos, nem masculinos, fundem-se com uma natureza surrealista – aliás, necessário dizer, Matthew Barney considera-se um performer abstrato.

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Artista POP?

Em 2016, Barney fez uma parceria controvérsia com o rapper norte-americano Kanye West. No videoclipe de “Famous”, Kanye utilizou esculturas feitas pelo coletivo de Barney, que retratavam os corpos de Donald Trump, Kim Kardashian, Taylor Swift e outras celebridades, que posavam nuas, lado a lado. O rapper ficou tão inspirado pelas ideias e o universo do performer que decidiu utilizar a estética de pós-humanidade de ‘Cremaster’ também em ‘Fade’, videoclipe protagonizado por Teyana Taylor, onde ao final ela aparece como um híbrido entre mulher e uma criatura felina. Mais tarde, Kanye chamaria o escultor de ‘seu Jesus’.

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As Conexões com o Brasil

Durante o Carnaval de Salvador de 2004, o artista realizou uma performance junto a Arto Lindsay, usando um trator que carregava uma arvore como carro alegórico, desfilando com o bloco Cortejo Afro. A performance teve registro e transformou-se num filme chamado ‘De Lama Lâmina’. Nessa obra, a intenção de Matthew é pensar a tecnologia, a natureza, a guerra, a floresta. Para ele, o Carnaval brasileiro simbolizava um caos fundamental, que gerava forma incontrolável.

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Ícone de Geração

Sempre brincando com nuances de gênero e o tendo o corpo como expansão da arte, Barney firma-se como um gênio criativo e um dos mais talentosos artistas de sua geração, transpondo suas obras de maneira sempre flexível, entre o underground e o mainstream, versando entre cinema, documentário, performance, happening, artes plásticas e também esculturas.

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 Fotos: ®Reprodução

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