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Andy Warhol
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O Universo POP de Andy Warhol: o Artista que Mudou o Mundo

Postado por Alisson Prando / 26 April, 2018

Com críticas a sociedade do consumo, Warhol ironizou o mundo e deixou sua marca para sempre em todas as plataformas de arte.

Andy Warhol é o principal nome da POP art. Surgida nos anos 1950, na Inglaterra, o movimento teve seu ápice na década de 1960, quando chegou aos EUA. A POP Art se caracteriza pela apropriação de imagens do universo de consumo (embalagens de produtos) e da cultura de massa (televisão, cinema, revistas de celebridades, quadrinhos, propaganda) como tema de suas obras e, ao mesmo tempo, faz uma crítica a essa indústria que, na visão dos artistas, exercia uma poderosa influência na vida cotidiana das pessoas.

Andy Warhol

Warhol emergiu como um grande artista pop quando soltou a tinta e se aventurou no mundo das cores e das telas

Warhol nasceu Andrej Varhola Jr., em Pittsburgh, em 1928, filho de imigrantes vindos de uma região que hoje fica na Eslováquia. De personalidade tímida e saúde frágil, Warhol foi uma criança que ficava mais à vontade admirando fotos de estrelas de cinema no quarto do que brincando na rua. Na faculdade, estudou arte e desenho para publicidade – seus professores lhe davam notas baixas, porque diziam que seu trabalho era demasiado ordinário. Em 1949, fez seus primeiros trabalhos como ilustrador para revistas como Glamour e Vogue. Alguns anos depois, já contava com um extenso portfólio de trabalhos comerciais, de propagandas de carro a capas de discos de jazz. O primeiro gosto do reconhecimento veio nessa época, quando Warhol ganhou prêmios de direção de arte.

Andy Warhol

Ilustração “Female Fashion Figure (with 1959 Plymouth Sport Fury Convertible)” de 1959

A obra de Warhol é, quantitativamente, vastíssima. O Andy Warhol Museum de Pittsbugh tem uma coleção permanente de 12.000 trabalhos incluindo pintura, desenho, gravura, fotografia, escultura, filme, videotapes. Só em filme, Warhol produziu 472 screen tests (retratos individuais), dos quais 279 estão preservados. Isso sem falar nos 150 filmes dirigidos por ele entre longas, médias e super longas, como ‘Empire’, ‘Blowjob’, ‘Sleep’, ‘Outer and Inner Space’, ‘Chelsea Girls’ etc (Angel, 2006). Essa imensa jazida consiste na repetição dos aspectos e das qualidades afetivas de nossa formação visual-institucional, mas alcança produzir espaçamentos em que se operam neutralizações por esvaziamento dos sentidos dados nesse mesmo arquivo.

Andy Warhol

Pittsburgh é o lar do museu de sete andares de Andy Warhol

Paradoxo completo, por um lado, ele trazia para suas obras as estrelas de Hollywood, políticos e esportistas que eram representantes do glamour e do poder americano, ou mesmo os ícones do consumo, da industrialização, da superioridade tecnológica e triunfante dos EUA nas décadas de 1960 e 1970, ao mesmo tempo, ele demonstra claramente que não acredita no sonho americano. É uma carnavalização da cultura de massa: consumo virando consumo. É o popular sendo elevado ao estado da arte, e rendendo milhões para ele.

Ele era parte da vanguarda artística, mas influenciava peças de publicidade; era também o queridinho das rodinhas de socialites, e não era incomum vê-lo nas colunas policiais, envolvido em algum escândalo. Era distante, com ares de intocável, mas presenteou sua recepcionista, Cathy Naso, com um autorretrato que agora vale alguns milhões de dólares.

Andy Warhol

Halston, Bianca Jagger, Jack Haley Jr., sua esposa Liza Minnelli e Andy Warhol numa festa de Ano Novo no Studio 54 em 1978

A América de Warhol é uma América imaginária dos grandes astros, dos presidentes idealizados, de um avanço tecnológico sem precedentes. É a América das propagandas e do consumo. Warhol também se insere nessa América como próprio objeto de desejo dos colecionadores de arte:

“O que é maravilhoso sobre este país é que a América iniciou a tradição onde os consumidores mais ricos compram essencialmente as mesmas coisas que os mais pobres. Você pode estar assistindo TV e vê a Coca-Cola, e você sabe que o presidente toma Coca-Cola, Liz Taylor toma Coca-Cola. Uma Coca é uma Coca e nenhum dinheiro pode conseguir uma Coca melhor do que a que aquele mendigo na esquina está tomando”, ironiza Warhol.

Andy Warhol

Pintura “Coca-Cola” (1962), de Andy Warhol, foi vendida por mais de US $ 35 milhões em leilão

Mesmo depois de décadas de seu trabalho, a cultura ocidental ainda permanece Warholiana: um dos maiores triunfos do trabalho do artista era se utilizar do banal, do popular. Quando uma publicidade passa a repetir imagens coloridas, super contrastadas, logo está ali… Andy Warhol.

Ele ficou famoso como artista plástico e cineasta, produziu o Velvet Underground e legitimou através de sua arte existências e subjetividades marginais. Além disso, fundou a Interview Magazine, pintava e também esculpia. Hyphenate, multi-artista, todos querem ser ainda hoje 1/5 do que foi o artista norte-americano.

Andy Warhol

Famosa série de quadros policromáticos dedicada a Marilyn Monroe em 1967 de Andy Warhol

Andy tinha um metiê completo, era amigo de Madonna, Hitchcock, Yoko Ono, John Lennon, Mick Jagger, Bob Dylan e Lou Reed. Seus biógrafos escrevem suas biografias através de diversos primas, conforme o impacto que Warhol teve para todas as formas de arte, desde a publicidade, até o cinema, fotografia, performance, e também a filosofia. Além das serigrafias Warhol também se utilizava de outras técnicas, como a colagem e o uso de materiais descartáveis, não usuais em obras de arte. Para Warhol, a fama era com frequência uma imposição dualista, uma configuração infeliz de acontecimentos que confirmava a fragilidade humana.

Andy Warhol comendo um hambúrguer, trecho de “66 Scenes from America”, 1982 (© Jørgen Leth / Reprodução)

Warhol foi apresentado à banda Velvet Underground, de Lou Reed e John Cale, em 1965. O rock de influências vanguardistas do grupo já vinha sendo elogiado na cidade, e Warhol passou a empresariá-los. Sugeriu que incluíssem sua “superstar” Nico como cantora e os integrou à sua turnê multimídia “Exploding Plastic Inevitable”, que viajou pelos Estados Unidos. A inclusão de Nico na banda deixou Lou Reed e John Cale bastante irritados, mas eles nada podiam fazer, já que era Warhol a ter a palavra final. Para seu primeiro álbum, de 1967, chamado apenas “Velvet Underground & Nico”, Warhol criou a icônica “capa da banana”, que ainda hoje é imitada por outras bandas mundo afora. Verdade que Velvet Underground acabou vendendo apenas 30 mil álbuns em cinco anos, mas sua influência é gigantesca em qualquer banda de rock, noise e música experimental que se preze.

Andy Warhol

O “Velvet Underground & Nico” foi reeditado em um vinil cor-de-rosa para marcar 50 anos desde o lançamento original do álbum

Warhol foi responsável por presentear o mundo com artistas como Jean Michel-Basquiat e Keith Haring, dois dos artistas da street art mais importantes no século 20. Ele também foi mentor de David LaChapelle, quando esse ainda era estagiário na Interview Magazine.

30 anos depois de Andy Warhol nos ter deixado, a 22 de fevereiro de 1987 devido a complicações após uma cirurgia, a sua arte continua presente e influente na cultura contemporânea.

Fotos: ®Reprodução

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