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Damien Hisrt
Cult +

O Retorno triunfal do Artista Visionário Damien Hirst

Postado por Alisson Prando / 22 April, 2017

Artista POP mais importante dos últimos tempos, Damien Hirst faz retorno do ‘fundo do mar’.

Entre os maiores artistas do final do século 20, encontra-se Damien Hirst, 51 anos, britânico nascido em 1965, o nome mais proeminente do grupo Young British Artists. Cheio de ironia, seus principais temas são morte, vida e a cultura popular em geral.

Damien Hisrt

Durante os anos 90, Damien foi responsável por liderar o YBAs e foi nessa década em que se tornou reconhecido internacionalmente. Ligado ao colecionador de arte Charles Saatchi, ele obteve enorme sucesso comercial e êxito. Uma de suas obras mais famosas é também uma das mais caras do universo da arte: em 2007, Hirst vendeu ‘Pelo amor de Deus’, um crânio com mais de oito mil diamantes incrustados por 100 milhões de dólares – o valor mais alto pago até hoje por uma obra de um artista vivo.

Damien Hisrt

Sempre polêmico e icônico, outra obra famosa de Hirst é ‘The Physical Impossibility Of Death in the Mind of Someone Living’, traduzida livremente para ‘Impossibilidade Física da Morte na Mente de Alguém Vivo’, que consiste num enorme tanque de formol com um tubarão dentro – nessa obra, vendida por algo entre 8 a 12 milhões de dólares, Damien queria um animal “grande o suficiente para comer alguém vivo”. O New York Times descreveu a obra como algo que simultaneamente encarna a vida e a morte e que deixa o espectador sem fôlego ao vê-lo.

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Outra obra do artista consiste em uma vaca e um bezerro, ambos cortados ao meio, também mergulhados em formol. Mas não são só grandes animais que tem vez na obra de Hirst: existem também quadros com aglomerados de moscas mortas e outros com borboletas. Essas obras todas em questão ganharam atenção da crítica, defensores de animais e outros artistas, que em protesto, diziam que animais mortos mergulhados em formol não eram arte, e que qualquer pessoa poderia ter criado essas obras. Em resposta, aos risos, Damien ironizava: “Mas vocês não criaram, criaram?!”.

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Em 1992, Damien se dedicou a pensar na obsessão contemporânea pela medicina, então criou a obra ‘Pharmacy’, uma reprodução em tamanho real de uma farmácia.

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Em 2008, Hirst leiloou de uma só vez todas as peças que tinha em seu ateliê e faturou mais de 500 milhões de reais. Esse leilão marcava o início de seu fim – era o que os críticos erroneamente diziam à época.

Depois de 13 anos sem expor obras inéditas, Damien Hirst retornou às manchetes da blogosfera e magazines do globo com a triunfal ‘Treasures from the Wreck of the Unbelievable’, traduzido como ‘Tesouros do Naufrágio do Inacreditável’, inaugurada no início de abril em Veneza, Itália. A exposição consta com 189 obras e ocupa dois museus italianos: Palazzo Grassi e Punta della Dogana, ambos de François Pinault, amigo de longa data de Damien Hirst, colecionador de arte e fundador do grupo Kering, conglomerado que tem no portfólio grifes como Gucci, Balenciaga, Alexander McQueen e Saint Laurent.

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Para essa exposição, Hirst conta com curadoria de Elena Geuna, e fornecedores de países como Alemanha, Itália, África do Sul e Estados Unidos. Ao todo, a exposição levou quatro meses para ser montada e tem obras exuberantes qualificadas em mais de 4 milhões de dólares.

‘Treasures from the Wreck of the Unbelievable’ tem mitologia própria: conta a história de Cif Amontan II, um escravo liberto da Turquia que viveu entre o século I e II. O escravo foi um grande colecionador de arte e guardava para si inúmeros tesouros. Parte desses tesouros, provenientes de diversas culturas (astecas, romanas, incas e egípcias) estão na exposição, encontradas em 2008 no fundo do mar da costa leste da África submersas em um navio. Daí surgem as obras da exposição, são esculturas em ouro, prata, bronze, animais marinhos, monstros, ursos, esfinges, espadas, medusas incrustadas com coral e substâncias do oceano.

Damien Hisrt

Para a publicidade da exposição, foi feito um vídeo onde mergulhadores “resgatam” as obras de Cif Amontan, alterego de Damien Hirst. Antes de serem exibidas, as obras ficaram submersas no mar durante um mês. A crítica especializada ficou dividida: Jonathan Jones, do The Guardian, deu cinco estrelas a exposição e ficou encantado com as obras, tais como a escultura ‘Demon With Bowl’ que tem 18 metros de altura. Alastair Sooke, do The Telegraph, concedeu à exposição duas estrelas, classificando-a como ‘horrorosa’.

Algumas esculturas fazem referências à ícones POP, tais como Mickey Mouse, faraós que lembram Pharrell Williams e Rihanna (que inclusive já apareceu ‘montada’ como Medusa por Damien na capa da GQ em comemoração aos 25 anos da revista), uma deusa como Kate Moss e uma estátua com características de Yolandi Visser, de Die Antwoord.

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Em entrevista ao The New York Times, Hirst contou um pouco sobre a motivação de sua nova exposição:

“É tudo sobre o que você quer acreditar. Acreditar é diferente de religião. É o que precisamos fazer hoje. Quando você é um artista, tudo o que faz é espelhado no mundo em que estamos vivendo hoje. E agora, com todos esses mentirosos no poder, é muito mais difícil acreditar no passado do que no futuro”.

Treasures from the Wreck of the Unbelievable está em cartaz no Palazzo Grassi e no Punta della Dogana, em Veneza, Itália, até 03 de dezembro. Uma visita imperdível, concordam?

Fotos: ®Reprodução

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