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De Gisele a Caetano, as maiores fotos de Bob Wolfenson: Retratos

Postado por Alisson Prando / 28 August, 2018

Mostra Bob Wolfenson: Retratos traz mais de 200 imagens de um dos principais fotógrafos do país; Caetano Veloso, Sebastião Salgado, Taís Araújo e Anitta estão entre as figuras clicadas pelo artista.

Uma das referências nacionais como retratista, fotógrafo de nus e de moda, Bob Wolfenson transita com a mesma destreza entre a publicidade e a arte. Ao longo de seus quase 50 anos de carreira, é responsável por alguns dos retratos mais marcantes da iconografia brasileira recente:

“Ser fotógrafo foi uma contingência da minha vida, pois meu pai havia morrido quando eu tinha 16 anos e tive que trabalhar.  O emprego que consegui foi de estagiário no estúdio da Editora Abril.  Ou seja, não era uma vocação, mas um ofício que se impôs quando eu era bem menino e, bem cedo, ao contrário de meus amigos tinha uma profissão.

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Eduardo Pombal, Isabeli Fontana, Bob Wolfenson e Paulo Borges em bastidores de ensaio

Bob Wolfenson já clicou as maiores personas brasileiras, transitando pela política, moda, música e esporte – fotografou retratos de Lula, Pelé, Lázaro Ramos, Caetano Veloso, Chico Buarque e Zé Celso, diretor do teatro oficina. Com curadoria de Rodrigo Villela, a exposição apresenta ao público diferentes aspectos de uma atividade profissional intensa e convida a um singular passeio pelos costumes e protagonistas das últimas décadas de nossa história. Intitulada ‘Bob Wolfenson: Retratos’, no Espaço Cultural Porto Seguro, a exposição acontece desde 23 de agosto. Sobre a fotografia no Brasil, ele declara:

Me afeta como cidadão, e sou mais da esquerda. Do ponto de vista artístico: vivi sob a ditadura, em que pese aqueles eram tempos difíceis haviam muitas brechas para criação artística, haja vista a herança que temos dos anos 60/70 como o Tropicalismo por exemplo. Não penso muito como ser fotógrafo no Brasil, pois não me sinto com uma missão de fazer uma fotografia brasileira ou fazer da minha fotografia um instrumento de algo que não seja ela em si. Olhando agora em retrospectiva e vendo esta minha exposição, são mais de 200 retratos frutos de uma atividade profissional hiperativa. Vejo que sou um cronista/ testemunha de um período do país através de alguns personagens de  sua história.

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Carol Trentini entre Anderson Baumgartner, Fabio Bartelt e o bebê Bento

A exposição traz mais de 200 retratos, vários deles ainda inéditos, realizados pelo fotógrafo ao longo de 45 anos. 

Cada época me sinto influenciado por alguém diferente, mas o pilar da minha formação é a tríade: Avedon, Newton e Penn que durante décadas reinou no campo da moda/retratos e publicidade.

Para a escolha das imagens integrantes, Villela e Wolfenson adotaram alguns critérios. Para além da escolha de retratos emblemáticos, em que o fotógrafo trabalha e até mesmo discute a própria linguagem, também fotografias realizadas em momentos importantes para o país. Nos últimos anos, no Brasil, a publicidade tem se apropriado de pautas como feminismo e LGBTQIA em suas representações visuais:

Acho que quando a coisa chega na publicidade parece que ela não é genuína, não a coisa em si, mas o uso que a publicidade faz destes assuntos é claramente oportunista. No entanto, de uma certa forma, colabora para aceitação e difusão destes novos ideais. Conclusão: melhor isso do que não isso.

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Retrato de Chico Buarque de Hollanda

Nascido em 1954, a trajetória de Bob também é marcada pelo nú. Ele já clicou para publicações como Elle, Playboy, Vogue, e Rolling Stone, sendo consagrado através do retrato, a fotografia de moda e nus, ele opina sobre a era das nudes:

A Playboy foi uma publicação que existiu num período em que estas questões postas hoje no campo do empoderamento feminino não estavam em pauta. Havia uma postura  entre as mulheres (na sua maioria muito esclarecidas) que posavam nuas e consentiam com o que hoje chamamos de objetificação da mulher, sem pensar nisso, pois isto não era uma questão. Os impedimentos eram mais morais ou de pudor. De todo modo, o faziam por dinheiro e/ou vaidade. Bom, hoje não seria mais possível uma revista desta existir. Foi uma era que se foi. Mas é isso a marcha das coisas, né? Não sou nostálgico, tenho outros assuntos e ainda pretendo publicar um livro só de nus. Quanto aos nudes acho que ficam numa esfera mais restrita e íntima, portanto são assuntos meio incomparáveis. Um era público o outro privado“.

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Retratos de Gisele Bündchen e Caetano Veloso

Wolfenson é, ainda, criador e editor da revista de arte e moda S/N. Muitas de suas obras estão em acervos de importantes instituições como o Museu de Arte de São Paulo (Coleção Pirelli-MASP), Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), Museu de Arte Brasileira da FAAP, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC-USP), Zacheta National Gallery of Art da Varsóvia, além de diversas coleções particulares. Brilhante em sua carreira, o artista atualmente vive e trabalha em São Paulo, cidade que hospeda sua exposição. Quando perguntado se ele gostaria que soubessem algo nunca revelado sobre ele, o fotógrafo dispara:

O que eu quero que saibam o faço através dos meus livros, exposições e publicações de meu trabalho na mídia em geral. E uso bastante o Instagram onde me relaciono com uma audiência específica e relativamente grande para os meus padrões anteriores à existência das redes.

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Neymar e Ganso posam para Bob Wolfenson

Gostou do seu trabalho? É possível acompanhar os bastidores e cliques de Bob Wolfenson também pelo Instagram. E para conhecer mais outros grandes nomes da fotografia mundial, confira nossas matérias sobre o rico portfólio de Nick Knight, Steven Meisel, Hick Duarte, David LaChapelleSteven Klein e Mario Testino.

Serviço:

Exposição Bob Wolfenson: Retratos
Quando: 24 de agosto a 9 de dezembro
Onde: Espaço Cultural Porto Seguro – Al. Barão de Piracicaba, 610, Campos Elíseos – São Paulo
Visitação: de terça a sábado, das 10h às 19h; domingos e feriados, das 10h às 17h
Entrada gratuita

Fotos: Bob Wolfenson

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