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Por Dentro da Prece Cósmica do Cantor Castello Branco

Postado por Alisson Prando / 19 December, 2017

Acompanhe os processos de cura do segundo disco de Castello Branco, um dos artistas mais importantes da Nova MPB.

Num mundo doente, caótico e desesperado, lá está Castello Branco, 30 anos, hasteando a bandeira da paz, amor, e a serenidade. Foi isso que o artista fez no lançamento de ‘Sintoma’ na Casa Natura Musical. Depois de uma experiência com a banda R. Sigma, Lucas Castello Branco arregaçou as mangas suficientes para encontrar coragem que bastasse para se lançar num disco a solo e lançou o elogiado ‘Serviço’.

‘Sintoma’ é seu segundo disco de estúdio que versa sobre os males contemporâneos e imprime um universo utópico, igualitário e tranquilo. O álbum é produzido pelo próprio Castello, com suporte de Ico dos Anjos, Lôu Caldeira e Tomás Troía.

Castello Branco

Castello Branco viveu boa parte da sua vida em um mosteiro, criado pela sua própria mãe na Serra do Capim, em Teresópolis, no Rio de Janeiro e foi lá que entrou em contato com música:

Meu primeiro contato com a música foi no mosteiro onde fui criado, chamado Núcleo de Serviço Crer-Sendo, lá, me lembro que com cinco anos já tínhamos um coral de crianças. Depois veio minha relação com o violão. Minhas mães são mulheres que largaram tudo para viver uma vida voltada ao “Serviço”, me criaram até meus 15 anos me ensinando o que é o amor, fé e me dando espaço para que eu me conhecesse como ser humano, me aprofundando em questionamentos honestos e discernimentos ao longo dos anos.”

Castello Branco

Com onze faixas delicadas, ‘Sintoma’ versa sobre amor, relacionamentos e o desânimo do tempo político presente. No álbum há participações de Filipe Catto (“Nascer do Sôm”), Mãeana (“Providência”) e Verônica Bonfim (“Do Interior”).

Em “Nascer do Som”, a música que o Filipe Catto participa é uma primordial para mim, porque é o espaço onde eu encontro uma voz da minha geração e eu ‘cutuco’ a palavra, que é superimportante, mas ao mesmo tempo nos engana bastante – por isso, essa música não tem letra. Antes da palavra vem os símbolos, e as pessoas ficam presas só às palavras, como no mito da caverna do Platão. Os símbolos podem dizer muito mais sobre aquilo que a gente sente“.

Castello Branco

Atualmente, Castello Branco deixou o Rio de Janeiro e vive em Perdizes em São Paulo.

Muita coisa eu preciso ignorar para continuar vivendo. Qualquer pessoa sensível, por exemplo, não pode sequer assistir ao jornal nacional. O monastério e São Paulo se encontram no sentido do serviço. São Paulo tem um caos importantíssimo, e tem toda essa coisa que pode te deixar amargurado, mas como cidade, São Paulo é o lugar onde você pode realizar qualquer coisa. No monastério, a lei mais importante é o serviço ao todo – a consciência através da convivência. Então tudo o que eu fazia enquanto monge era entender uma vida grupal com harmonia, parcimônia, e para você viver assim, você precisa estar alinhado a certas leis. Em São Paulo, eu estou aprendendo isso: a fazer acontecer“.

Castello Branco

A sonoridade do disco versa entre folk, eletrônico e MPB, e serve exatamente como uma ponte entre ‘Serviço’, o trabalho lançado há quatro anos atrás:

Eu chamo de ‘ufolclore’. São as minhas referências folclóricas brasileiras com minhas referências cósmicas. Sua proposta é ser um som de cura, que toca as pessoas“.

Além de músico, Castello Branco também atua enquanto escritor. No intervalo entre seus discos, ele lançou ‘Simpatia’, um livro de poesias realizado com o auxílio de financiamento coletivo – e teve suas 5 mil cópias vendidas.

Castello Branco

A capa de ‘Sintoma’ traz Castello Branco aos sete anos de idade, e é assinada por Lou Caldeira:

“Sintoma” mostra que o melhor homem é o menino. É um resgate da criança. A criança é um ser andrógino, não tem a sexualidade que a gente já tem, e acho que voltar um pouco para esse lugar talvez seja uma das chaves para sairmos desse sintoma esquisito”.

‘Sintoma’ é um espelho. Meu e do mundo onde vivemos. Com o livro, pude aprender mais sobre mim, sobre meus defeitos. Quando digo ‘cura’, não quero ser pretensioso, não sou eu que vou curá-los, mas posso propor uma vivência de cura. Que as pessoas entrem na mesma vibração com a qual eu me curo. ” Os fãs ávidos saem satisfeitos, curados e encantados.

Você pode ouvir todas as faixas do novo álbum ‘Sintoma’ no Spotify:

Fotos: ®Reprodução

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