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Choque Cultural Apresenta Exposição do Argentino Tec

Postado por Alisson Prando / 13 August, 2018

Reconhecido por murais e intervenções no asfalto da capital paulista, artista expõe conjunto de telas inéditas, fotografias e projetos que mesclam arte e tecnologia.

A combinação de suportes e técnicas é a tônica da obra do artista cordobês Tec, com mostra programada na Galeria Choque Cultural. Ele explora a ambiguidade dos espaços públicos e privados da arte, fazendo uso das mais diversas linguagens, da pintura à instalação site-specific, do grafite às intervenções performáticas, várias delas filmadas ao longo de sua execução:

“O fato de eu ter me tornado um artista profissional está relacionado à fatores variados e sem conexão. Na realidade, eu me interessei pelo grafite, há muitos anos, ainda adolescente, e nessa época era inimaginável que isso podia ser uma profissão. O tempo e o crescimento da street art no âmbito mundial fizeram com que hoje eu possa viver disso, mas ainda é muito difícil manter uma estrutura estável.”

“Eu agradeço muito à minha família por ter me apoiado nos momentos mais difíceis, como por exemplo, quando eu ia procurar trabalho em outra área, algo que aconteceu muito na minha carreira. Não foi uma decisão, foi uma consequência, um produto de fracassos, mudanças e experiências pouco felizes de quando trabalhei em publicidade.”

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O caos de uma megalópole como São Paulo emaranhado a imagens e grafismos coloridos. Obras que usam a perspectiva à distância e combinam técnicas pictóricas e artifícios tecnológicos para convidar o espectador a perceber os detalhes em suas diversas camadas. Esse é o norte de Rock & Drones, exposição individual que o artista argentino Tec apresenta na Choque Cultural, entre 25 de agosto e 6 de outubro.

Com curadoria de Baixo Ribeiro e Laura Rago, a mostra apresenta ao público um recorte da produção mais recente do artista, que toma sua relação com o mundo que o cerca como inspiração para suas criações. No conjunto, cerca de 15 obras inéditas, entre telas, fotografias e vídeos que mesclam arte de rua e tecnologia.

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“Meu trabalho tem uma característica particular, eu não consigo me ater muito a estilos e formas estéticas. Aprendi na rua, que cada lugar tem um espírito diferente, então cada mural ou intervenção no espaço público, tem que estar em harmonia com o contexto. Isso fez com que minha obra nos últimos anos mudasse muito de um lugar para outro, às vezes, sem identificar que certa obra seja do mesmo artista que fez a anterior. Nesta exposição, decidi mostrar essa minha particularidade que vejo positiva.”

“Nas telas, mantenho o estilo sem perspectivas que venho pintando há anos, nada tem chão, nem céu, existe uma ausência dos parâmetros reais e das perspectivas, levando o espectador a um mundo lúdico que tem mais a ver com um universo infantil que com o figurativismo.”

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“São camadas e camadas onde predominam as cores primárias e se transmite as experiências do bairro onde trabalho, Barra Funda. Também apresentarei uma espécie de retrospectiva do trabalho no chão, dos grafites no asfalto, registrados em fotos e vídeos, além de vídeos-drones inéditos.”

Natural de Córdoba, Tec vive em São Paulo há sete anos. Seu trabalho carrega a vantagem do olhar múltiplo de quem está dentro e fora num instante único. Já há algum tempo, é o ritmo da capital paulista que dá o tom de suas criações:

“Eu sou fã de artistas desconhecidos e/ou músicos. Antigamente eu olhava muito Joan Miró, Basquiat, Francis Bacon, mas quem mais me inspira são Los Redondos, banda de rock argentina que se caracteriza por uma independência radical.”

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O artista inovou e ampliou o cenário da arte urbana com seus desenhos gigantes pintados no asfalto das ladeiras de São Paulo, fazendo uso da perspectiva à distância. Usando o piso como suporte para seus grafites, incorporou o drone como ferramenta para a sua produção em espaços públicos de superfície plana. Séries de vídeos-drones foram criadas a partir de figuras pensadas, especialmente, para essa técnica.

Na exposição, o artista apresenta um vídeo-drone inédito, concebido a partir de uma de suas intervenções na cidade, e um stop motion, também fotografado por uma aeronave não tripulada. Mapeando a sua produção, num diálogo entre o representado e o representante, o artista expõe ainda um conjunto de fotografias, registros de seus trabalhos de rua:

“Sinceramente, eu não concordo com as gestões que não têm diálogo e são exclusivas.  A pixação é uma guerra perdida e sem rumo. Se você não entende a pixação, não entende a cidade de São Paulo. Já o grafite pode ter um lado mais artístico, mas tem que ter rebeldia. E institucionalizar uma arte que vem da rua é uma contradição, não tanto para as instituições, mas sim para o artista.”

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A montagem tem a intenção de instalação onde todas estas plataformas possam conviver em um espaço pouco comum, como é atualmente a Galeria Choque Cultural.

Rock & Drones, individual de TEC
Local: Choque Cultural – Rua Medeiros de Albuquerque, 250, Vila Madalena
Abertura: 25 de agosto, sábado, das 12h às 19h
Período Expositivo: de 25 de agosto a 6 de outubro
Visitação: de terça-feira a sábado, das 12h às 19h (entrada gratuita)

Fotos: Divulgação

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