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Cinco performers contemporâneos que você precisa conhecer

Postado por Alisson Prando / 23 September, 2017

Criamos uma lista para que você entre no universo da Performance Art, a forma de arte mais discutida nos últimos tempos.

Durante a história humana, o corpo, desde o pensamento aristotélico-socrático-platônico foi negado e rebaixado. No pensamento grego, o corpo e o mundo físico eram cópias imperfeitas de um mundo metafísico que, este sim, seria perfeito. No século 20, fortemente influenciados pelo filósofo alemão Nietzsche, a obra de Marcel Duchamp, a cultura ready-mades, e o espírito de contracultura, os artistas passam a rebelar-se contra os meios de produção artísticas que eram estritamente mercadológicas, passando a praticar performance, happening e live art. A ideia era aproximar o público da arte, e tirar dele o lugar de espectador e passivo, fazendo com que ele mesmo se tornasse parte da obra. A partir então dos anos 60, com a ideia de fazer com o que conceito se torne ainda mais importante que a própria técnica ou resultado final da obra, os artistas passam a fazer performances em público, seja dentro ou fora de museus e galerias de arte.

Apesar de sua característica anárquica e de, na sua própria razão de ser, procurar escapar de rótulos e definições, a performance é antes de tudo uma expressão cênica: um quadro sendo exibido para uma plateia não caracteriza uma performance; alguém pintando esse quadro, ao vivo, já poderia caracterizá-la.

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Outro elemento primordial da performance é o tempo: a performance acontece num determinado tempo e espaço, e não pode ser repetida, pois mesmo quando a obra for reproduzida, ela se tornará outra obra, já que será feita em outro tempo, com outro público:

Artista, obra, público são elementos estéticos da performance. O quarto elemento estético é o tempo. A performance artística se dá no tempo, sua efemeridade é condição. Os registros permanecerão registros, e, por permanecerem, estarão semimortos, ainda que capazes de leves ressonâncias. Os registros são apenas obscuro reflexo, eco ensurdecido de um prazer para sempre estancado.

Sendo uma forma de arte híbrida e imprevisível, a performance coloca o corpo no centro da arte, e muitas vezes usa-se de elementos cênicos como vídeo-arte, instalações arquitetônicas, poesia, moda, teatro, e materiais produzidos pelos próprios artistas. Muitos performers fazem obras que duram anos, dias, meses. Outros colocam seu corpo em risco. Tudo pela arte.

CHRIS BURDEN

Falecido em 2015, Chris Burden foi um dos artistas mais importantes do século 20. Nascido em 1946 em Boston, Burden estudou Arquitetura em sua juventude, mas foi com performances de alto risco. A mais famosa é ‘Shoot’, uma alegoria a Guerra do Vietnã, onde o performer permitiu que um amigo atirasse com um rifle em seu braço. Sempre fazendo referências ao caos, Burden também criou obras no Brasil.

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A pedido do Instituto Inhotim, nos arredores de Belo Horizonte, o artista recriou a escultura ‘Beam Drop’, obra que consistia em ter uma série de vigas de metal despencadas numa piscina de concreto molhado, para que quando seco, o cimento segurasse as peças de ferro como se fosse um jogo de palitos congelados no espaço. Ainda em Inhotim, Burden tem um pavilhão com uma catraca que move as paredes do prédio em direções opostas a cada visitante do espaço, fazendo uma contagem dos dias para que a estrutura caia em pedaços. Sobre sua obra, hedonista, o artista declara:

“Se eu fosse Deus, faria todas as vigas caírem ao mesmo tempo. É infantil jogar vigas de aço sem propósito dentro de um buraco. É brincar com a ideia do prédio moderno. Estou sendo subversivo e prefiro sempre o caos.”

MARINA ABRAMOVIC

Marina Abramovic recentemente resolveu transformar performance em arte mainstream, funcionou: desde seu documentário exibido pela e produzido pela HBO, ‘A Artista Está Presente’, Marina colaborou com artistas como Lady Gaga durante sua era ‘artPOP’ e Jay-Z durante ‘Picasso Baby’. Nascida na Sérvia, ela é extremamente importante para os estudos e arte do corpo. Entre suas performances mais importantes, estão Rhythm 0, onde Marina permaneceu sentada numa cadeira por 6 horas, enquanto seu público dispunha de uma mesa com 72 objetos como facas, rosas, escovas, tesouras e armas que podiam ser usadas pelos espectadores como eles bem quisessem. A medida que o tempo da performance foi passando, a audiência foi ficando cada vez mais agressiva: rasgaram suas roupas, picaram-na com as rosas e apontaram com armas na cabeça. Depois de 6 horas, Marina levantou-se para dirigir-se à porta de saída e causou comoção no público do museu.

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Em Rythm 2, ela ingeria um medicamento que deixava seu corpo imobilizado até o estado de convulsão – apesar de não ter controle sobre seu corpo, ela tinha consciência do que acontecia à sua volta. Depois, Marina ingeria outro remédio, dessa vez um calmante que colocava sua mente num sono profundo. O amor de sua vida foi Ulay, um artista performático com quem viveu por anos. O final foi tão digno quanto toda a jornada do relacionamento. Os dois caminharam pela muralha da China inteira, e depois de três meses encontraram-se no meio do caminho e se deram ‘adeus’. A performance criava um diálogo entre desligamento de corpo e mente. Marina dedica-se às performances de longa duração, pensando em temas como existencialismo, vida e morte, corpo e espaço.

“Quando me perguntam o que significa a energia feminina, digo que não tenho respostas. Apenas muitas perguntas e exemplos interessantes”.

MILLIE BROWN

A jovem performer Millie Brown ganhou projeção mundial ao participar de apresentações junto a estrela POP Lady Gaga: foi ela a responsável por vomitar na estrela POP no Festival SXSW na música ‘Swine’. O ato consistia com Millie ingerindo garrafas de água com corantes coloridos, e então a artista forçava o vômito. Posteriormente, Millie utilizou a mesma técnica para compor quadros, que são vendidos em seu site por até R$ 4.000. Na performance ‘Suspended by Optimism’ realizada em 2014 no Art Basel Miami Beach, Millie Brown ficou 4 horas pendurada por balões de gás hélio, refletindo sobre viagem astral e o espaço físico.

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Na performance ‘Wilting Point’, realizada numa galeria no Refinery Hotel of New York, Millie Brown ficou deitada em meio a uma cama de flores por 7 dias, sem comida, apenas com água, enquanto as flores murchavam ao seu redor. Quando perguntada sobre sua arte, Millie Brown responde:

“Queria usar meu corpo para criar arte. Queria criar algo que viesse de dentro, que fosse bonito, cru e ao mesmo tempo incontrolável”.

JOSEPH BEUYS

Considerado o artista alemão mais importante depois da II Guerra Mundial, Beuys trabalhou com oposições como razão e intuição, frio e calor, criando obras marcantes para o século 20. Em 1940, Joseph tornou-se piloto. No inverno de 1943, seu avião despencou próximo à Rússia e uma tribo tártara o salvou, cobrindo-o com feltro para mantê-lo vivo. Ligado à religião e mitologia, as obras de Joseph têm sempre um tom espiritual e metafísico. Durante a performance “Como explicar pintura a uma lebre morta”, apresentada em 1965, o artista senta-se com um cadáver de uma lebre ao colo e na performance “Coiote: eu gosto da América e a América gosta de mim” (1974), Beuys fechou-se numa galeria de arte nova iorquina, durante 7 dias, com um coiote selvagem.

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Influente na política, o artista ajudou na criação no Partido Verde na Alemanha, na obra de 1979 ‘7.000 Carvalhos’, ele substituiu 7 mil pedras por 7 mil carvalhos, na esperança de que mais pessoas fariam o mesmo. Era também era amigo de Andy Warhol, que chegou a fazer artes inspiradas por ele. Mesmo depois de sua morte, em 1986, ele continua sendo rememorado em mostras e exibições ao redor do globo. Sobre sua arte, ele declarou:

“Libertar as pessoas é o objetivo da arte, portanto a arte para mim é a ciência da liberdade.” 

WOLF VOSTELL

Escultor, pintor e artista plástico, Wolf Vostell foi um dos percursores da vídeo-arte, instalação e happening. Começou sua carreira em 1956 com desenhos, happenings e uso de televisores em sua obra. Wolf Vostell, criou a obra ‘Sun in your head (1963)’ a partir da apropriação de imagens geradas por emissoras de TV. O artista filmou, em 16mm com baixa velocidade, a tela de um televisor onde a troca constante de canais criava um bombardeio de imagens desreguladas.

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Na Alemanha, Vostell ajudou a compor o Fluxus, um movimento de performances, instalações, happenings e outros suportes inovadores da época que valorizavam a criação coletiva e a integração de diferentes linguagens, como a música, cinema e dança. Os artistas do Fluxus inseriam a arte no cotidiano, defendendo a ideia de que todos deveriam compreendê-la.

“São as coisas que você não conhece que mudarão a sua vida”.

Fotos: ®Reprodução

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