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Por Trás do Brilho do DJ e Produtor Musical Boss in Drama

Postado por Alisson Prando / 15 October, 2017

Boss in Drama é um dos DJs e produtores mais requisitados do país. Saiba mais sobre seu estilo, suas colaborações e seu gosto por moda e música.

Um dos maiores sucessos da música eletrônica e POP brasileira é Boss in Drama, alter-ego de Péricles Martins, produtor por trás dos hits “Tombei” e “Farofei” da rapper Karol Conká.

Seu som é dançante, divertido e POP, com referências que passeiam pela disco clássica, French House, Ítalo e R&B. Criando uma mistura própria e cheia de personalidade, que pode ser ouvida das rádios mais populares até as pistas de dança mais descoladas, Boss in Drama executa e produz uma música explosiva. O que explica sua agenda agitada, com várias datas marcadas ao redor do Brasil e também do mundo:

“Ser DJ não foi um caminho automático, não foi algo que eu pensei ‘agora vou ser DJ’. Eu já produzia antes de me tornar DJ e meu tesão sempre foi produção. Comecei tocando e produzindo, e fui fazendo músicas das quais as composições não cabiam a mim performá-las, e depois do meu primeiro disco, começou a surgir a oportunidade de fazer colaborações com outros artistas”.

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Boss in Drama toca como DJ na Yacht Club em São Paulo, capital (Foto: Marcos Bacon)

O desafio de Péricles agora é fazer com que a música eletrônica produzida aqui seja como na gringa – assim como Calvin Harris, Diplo e Röyksopp, o DJ e produtor quer fazer com que seu trabalho seja notado tanto quanto quem faz os vocais das músicas que ele compõe:

“No Brasil é bastante comum que as pessoas confundam música eletrônica e responsabilize o sucesso de um hit só pela pessoa que canta. As músicas que eu faço agora são minhas e também do vocalista – tem a cara dos dois!” – Ele adverte, e continua: “O papel do DJ é dar o valor para a batida. A batida é tão importante quanto a letra. Porque se a música não tem uma batida boa, ela não vai pra frente. Muita gente subestima a batida da música e acha que o que importa é só a letra e não é isso! É um conjunto! A produção música é uma peça chave e se a música não for bem produzida ela não dá certo”.

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Boss in Drama toca como DJ na Club 88 em Campinas, São Paulo (Foto: Bill Ranier)

Entre as realizações mais marcantes do projeto Boss in Drama estão prêmios como “Artista Eletrônico” no extinto MTV Video Music Brasil, apresentação ao vivo no prêmio Multishow 2010, destaque na edição “NEXT 100” da revista americana URB. Quando ele rememora a sua primeira gig enquanto DJ, ele diz que teve a sorte de tocar com ninguém menos que Diplo, produtor de hits como “Bitch, I’m Madonna”, “Sua Cara” e “Lean On”:

“A primeira festa em que toquei como Boss in Drama foi em outubro de 2008 em Curitiba. Nesse dia veio Diplo tocar lá e eu o conheci. Na época, ele não era tão conhecido como é hoje. Nesse show, tinha algumas músicas que eu cantava e o palco era um pouco afastado da cabine do DJ – e então o show foi com o Diplo tocando e eu cantando, foi muito legal e ele também não esqueceu desse dia, porque até hoje quando nos vemos ele se lembra disso. Tive a sorte de começar com a benção de Diplo, ele é uma referência para o que faço”.

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Boss in Drama toca como DJ no festival de música Lollapalooza 2013 (Foto: I Hate Flash)

Com tantos hits, Diplo se tornou extremamente requisitado nos últimos anos, e com isso acabou saturando a cena de música eletrônica com seu nome, Boss in Drama opina:

“Quando você vira um produtor no nível dele, existe muita gente dependendo de você para criar hits – é muita pressão de todos os lados. Quando se produz um hit mundial, não se pode fazer qualquer coisa, tem que manter o nível. Ele segue as regras do mercado, então se o mercado pede, ele tem que fazer uma música certeira que vai entrar no Top 10. Produção e composição são resultados de vivência. Eu acho genial, por exemplo, a flauta de “Sua Cara”, com certeza ele deve ter ouvido aquilo em alguma viagem diferente a aproveitou…”.

Uma das parcerias mais evidentes de Boss in Drama é com a compositora e cantora Karol Conká. Em conjunto, os dois fizeram hit atrás de hit que emplacaram e fizeram muitas pessoas dançarem em pistas de danças e festivais brasileiros:

“A Karol e eu nos inspiramos muito. A nossa amizade e o nosso respeito é o que faz essa relação ser tão boa. Agora estou fazendo o segundo disco dela. Toda semana a gente se encontra no estúdio, escreve coisas juntos e o disco está tomando forma. A gente está explorando estilos com ela cantando, outros temas porque ela é uma pessoa muito curiosa. A gente nunca repete a formula. Tornamo-nos amigos fazendo música, convidei ela para fazer “Toda Doida”, porque eu achava que ela era a artista POP que o Brasil precisava, multifacetada e inspiradora. A gente veio com uma batida diferente, algo que não é funk e também não é POP norte-americano, é uma mistura de vários elementos, de Brasil com POP, Dance, Tribal etc. Isso abriu o olho da Karol com a música POP. A gente dá certo e a gente vai continuar fazendo música cada vez melhor”.

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Boss in Drama se apresenta com a cantora Karol Conká (Foto: The Beats Show)

Em tempos políticos cada vez mais polarizados no Brasil, alguns representantes institucionais apresentaram um projeto de criminalização do funk – algo bastante higienista e conservador, pois nenhuma cultura ou forma de arte deve ser reprimida:

“O Funk para mim é uma inspiração, um dos sons mais incríveis. É um ritmo que toca no Brasil e tem o mesmo valor que a Bossa Nova. Sou contra esse lance de criminalizar. Eu não vou dar uma opinião para tomar um protagonismo que não é meu. Acho que quem tem que falar sobre isso são pessoas que realmente cresceram na cultura do Funk Carioca, e que viveram essa cena tão intensamente, mas eu sou contra a criminalização”.

No Brasil contemporâneo, uma das cenas mais potentes musicalmente é a MPBicha, com nomes como Johnny Hooker, Liniker, As Bahias e a Cozinha Mineira, Jaloo e muitos outros, que em sua performance e estética questionam os padrões vigentes de heterocisnormatividade. Quando pergunto que artista dessa cena vai estar no mercado em dez anos, o DJ é categórico:

“A minha preferida é a Linn da Quebrada, para mim ela é uma artista revolucionária da MPBicha. Ela tem um dos discursos mais densos – você pode dançar e ao mesmo tempo ela sabe usar temas sérios na música dela. Foi uma honra trabalhar com ela. Ela é uma das pessoas mais inteligentes que eu já conheci. Foi um aprendizado, e hoje ela é minha amiga. Ela tem sangue nos olhos, e não faz uma música pasteurizada – a música dela te dá um soco no estomago e te faz ver estrelas ao mesmo tempo, com ela que mais me identifico.”

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Boss in Drama e Linn da Quebrada gravam juntos o lyric video da música Close Certo (Foto: ®Reprodução)

Boss in Drama sempre se apresentou muito bem visualmente, tanto quanto suas músicas – prova disso são seus ternos estilosos no palco ou em eventos e festas por onde ele circula, como a Carlos Capslock e a ODD, mas sua relação com moda é bem instintiva:

“Eu nunca tive stylist – só para fazer fotos, mas nunca para show – eu sempre gostei de me vestir e tenho referências de moda que são minhas – Michael Jackson, Prince. Gosto muito de looks com terninhos setentistas, disco, essas coisas com brilho, coisas que eu encontro em brechó. Eu não ligo para a marca, porque acredito que eu é quem dou valor ao look e não o contrário. Vestir C&A e Versacce para mim é a mesma coisa. Eu não me baseio em marcas, eu me baseio em conceitos visuais que eu gosto e me identifico.”

Quando pergunto quais são os estilistas de moda de quem ele gosta aqui no Brasil, o produtor aponta:

“Gosto do Diego Fávaro e acho que ele está arrasando. Acho que o Brasil tem que ter estilistas POP, que transformem a moda e a música POP.”

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Boss in Drama posa com look fashionista para editorial da revista DJ Mag (Foto: Hebert Coelho)

E para finalizar, Boss in Drama que fez das festas a sua profissão, ele indica três músicas que não podem faltar em nenhuma festa:

“Toda Doida” é um hit indispensável. “Vogue” da Madonna, é um clássico. E “Crazy in Love” de Beyoncé. São músicas que você toca em qualquer balada e funciona.

Colaboração: Daniel Chirzóstomo

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