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Rodrigo Alarcon
Radar

Tão viciante quanto café: conheça o cantor Rodrigo Alarcon

Postado por Alisson Prando / 1 August, 2018

Aos 25 anos, Rodrigo Alarcon é uma das maiores revelações da geração de streaming da música brasileira.

Rodrigo Alarcon, tem 25 anos, e é capricorniano – além disso, ele é considerado pela blogosfera como a nova cara da música popular brasileira. Nasceu em Sorocaba e foi criado em Mogi das Cruzes. Seu projeto solo tem uma pegada acústica e delicada, enquanto suas letras versam sobre a simplicidade do cotidiano, como uma xícara de café.

Em 2015, Rodrigo Alarcon viralizou com seu vídeo caseiro de “O lado vazio do sofá”. Durante os anos seguintes, ele foi montando seu EP ‘Parte’ — com sete músicas. ‘Parte’ ainda não tem data de lançamento definida, mas mescla samba, rock, baião, MPB e outros ritmos brasileiros.

Um dos singles de maior destaque de ‘Parte’ é “Amor Acidente”, música em que Alarcon divide os vocais com a Liniker, um dos maiores nomes da world music atual. Na entrevista concedida a What Else Mag, Rodrigo Alarcon fala sobre seus processos criativos, plataformas de streaming e masculinidade.

Rodrigo Alarcon

“Eu me percebo artista desde criança.”

COMO VOCÊ DECIDIU TORNAR-SE ARTISTA?

Acho difícil dizer que decidi tornar-me artista. Eu me percebo artista desde criança. Arte sempre foi natural. Seja nas artes gráficas ou na música. A música em si veio mais tarde que o desenho. Foi aos 15 anos que montei minha primeira banda, pra tocar nos festivais do colégio, e desde então não imagino minha vida sem o palco.

COMO FUNCIONA SEU PROCESSO CRIATIVO?

Ultimamente tenho me atentado muito para perceber meus processos criativos a fim de mantê-los criativos. Não cair numa fábrica, ou fórmula para escrever. Já escrevi música antes de letra, letra antes de música, música sem letra, letra sem música, no ônibus, em casa, no celular, no papel. Busco ter um processo criativo mais próximo que eu conseguir do “não processo”.

A GENTE PERDEU O HÁBITO DE OUVIR DISCOS COMPLETOS E ATUALMENTE, CADA VEZ MAIS, OS ARTISTAS INVESTEM EM SINGLES NAS PLATAFORMAS DIGITAIS – O QUE EU ACHO PARTICULARMENTE PÉSSIMO, PORQUE ADORO VER UM PERSONAGEM SENDO DESENVOLVIDO NUM DISCO, NO PALCO. OUVIR UM DISCO É COMO ASSISTIR UM FILME. O QUE VOCÊ PENSA SOBRE A LÓGICA DE MERCADO QUE EXISTE HOJE EM DIA, QUE PRIVILEGIA SINGLES E DEIXA DISCOS DE LADO?

Eu sinceramente gosto do streaming e acho que estamos apenas aprendendo a usar ainda. Um ponto positivo que enxergo disso para o cenário independente é que o single permite visibilidade com menos dinheiro investido para os artistas. Fiquei surpreso quando vi que Drake lançou um disco duplo em 2018, por exemplo, que é, há 4 semanas, número 1 da Billboard. Uma boa obra é boa e se completa por si. Seja essa boa obra um bom single ou um álbum completo. O mercado é o mercado, vão vender o que estiverem e o que não estiverem comprando.

QUEM SÃO OS ARTISTAS QUE MAIS INSPIRAM SUA CARREIRA?

Acho que não consigo falar de fazer música brasileira sem dizer Caetano Veloso, Gil, Gal e Bethânia. Gosto muito da obra do Gonzaguinha. De Maysa. Recentemente escrevi uma canção inspirado por “Fim de festa” do Itamar Assumpção.

Rodrigo Alarcon

“Uma boa obra é boa e se completa por si.”

GRANDES ARTISTAS DO CENÁRIO NACIONAL TÊM DESCONSTRUÍDO PADRÕES DE GÊNERO E SEXUALIDADE, TAIS COMO JOHNNY HOOKER, GLÓRIA GROOVE, PABLLO VITTAR, THIAGO PETHIT, SILVA, ENTRE OUTROS. COMO VOCÊ SE RELACIONA COM A SUA SEXUALIDADE E MASCULINIDADE E DE QUE MANEIRA ESSAS QUESTÕES PERMEIAM SEU TRABALHO?

Masculinidade é um conceito que tem que ser urgentemente desconstruído. Homens tem que se libertar dessa prisão que o mundo masculino cria. Sou bem tranquilo da minha sexualidade hoje em dia, mas nem sempre foi assim. O universo masculino durante a formação de um ser humano é cruel para quem não se enquadra. Pra me sentir aceito eu me via na obrigação de mentir, coisas simples, como a idade que perdi a virgindade, por exemplo, coisas que hoje, depois de muitas sessões de terapia, estão bem resolvidas. Falta conversa sincera entre os homens.

Aproveito para fazer um apelo aqui: Homens, vamos parar de contar vantagens uns sobre os outros, demonstremos nossas fragilidades e sentimentos. Está tudo bem. Ninguém precisa ser nada além do que realmente é. Trago isso para o meu trabalho, hoje, naturalmente sendo o mais sincero possível comigo, logo com o público também, nas letras que escrevo, na minha fala e comportamento.

QUE DISCOS VOCÊ OUVIA DURANTE A INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA QUE AINDA MEXEM COM SEUS OUVIDOS E TE INFLUENCIAM?

Sem dúvida 2 discos que meu pai tinha durante minha infância. O “Greatest Hits” do Queen, e “As canções que você fez para mim” da Bethânia. São dois discos que eu ouvi e ouço muito sem enjoar.

O QUE VOCÊ GOSTARIA QUE AS PESSOAS SOUBESSEM SOBRE VOCÊ QUE ELAS AINDA NÃO SABEM?

Que, apesar de amar café, talvez eu não beba tanto assim quanto todos acham (risos).

Rodrigo Alarcon

“Ninguém precisa ser nada além do que realmente é.”

JOGO RÁPIDO COM RODRIGO ALARCON:

Onde você compra suas roupas?
Tenho comprado muita coisa de brechó ultimamente.

Coleciona alguma coisa?
Nunca fui bom com coleções, paro todas no meio. Ultimamente tenho me empenhado em colecionar isqueiros. Até quando isso vai durar, eu não sei.

Um talento secreto:
Meu arroz é soltinho.

A última compra de que se orgulha:
Fui no Ceagesp na madrugada de segunda e comprei muitas plantas para o meu apartamento.

Uma música, banda ou disco para ouvir num dia melancólico:
Tem um EP da Bethânia de 1965 que se chama “Maria Bethânia canta Noel Rosa e outras Raridades”. Dói.

Três coisas que levaria para uma ilha deserta:
Fósforos, uma corda e um canivete suíço.

Drink favorito:
Não sou muito do drink. Prefiro um copo de whisky.

Remédio favorito:
Tylenol Sinus, salva demais.

A cor que mais usa no guarda-roupa:
Tenho muita roupa preta. Mas ultimamente estou numa fase amarela.

Sua peça de roupas favorita e por que:
Um bom jeans. Um jeans bonito resolve qualquer look.

Uma mania:
Sou uma pessoa barulhenta (risos). Sempre estou batucando ou cantarolando.

Fico fora do sério quando…
Perdem a mão no coentro (risos).

Um autor favorito:
Eduardo Galeano.

Rodrigo Alarcon

“Tenho muita roupa preta. Mas ultimamente estou numa fase amarela.”

Um filme que sempre vale a pena ver de novo:
“The masks you live in”, ótimo documentário que questiona a masculinidade muito bem.

Um vício:
Coca-Cola.

Um medo:
De pássaros.

Uma comida para o resto da vida:
Arroz e feijão não pode faltar.

Uma comida que não come de jeito nenhum:
Jiló não desce.

Seu melhor defeito:
Bagunceiro, demais, mesmo.

Uma cidade onde moraria:
Neste momento não me vejo em nenhuma cidade que não seja São Paulo.

Se não trabalhasse com música, trabalharia com…
Provavelmente artes gráficas e tatuagem (que não deixa de ser uma arte gráfica).

Um herói:
Sempre preferi o Homem-Aranha apesar de ter mais quadrinhos do Batman.

Como é o seu domingo ideal?
Não sou uma pessoa fã de domingos. Domingo me traz um sentimento estranho. Mas é bom ficar fazendo o total de muitos nadas debaixo de uma coberta quente vendo Netflix com o mozão do lado.

Como enxerga sua vida em dez anos?
Trabalhando muito.

Um sonho:
O sonho pessoal é viver da minha arte sem preocupações no final do mês. Já o sonho coletivo é um mundo em que todos façam terapia semanalmente.

Fotos: Divulgação

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