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Dramas do homem gay urbano são discutidos em espetáculo

Postado por Tiago Santos / 12 July, 2018

Por meio de performance e dança, “Demônios” aponta para as incertezas que rondam os avanços sociais conquistados nas últimas décadas.

Nem parece que estamos prestes a entrar na terceira década do século 21. A comunidade gay no Brasil segue frágil, dispersa, desestruturada, desesperançosa e massacrada pela opressão. Essas sensações, todas elas associadas a depressão e ao medo, são o ponto de partida para a abordagem de “Demônios” – que chega ao final de sua temporada neste final de semana (12 a 15 de julho), no TUSP – Maria Antonia.

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O espetáculo criado pelos diretores Marcelo D’Ávilla e Marcelo Denny, e produzido pelo Grupo Teatro da PombaGira, apresenta uma visão crítica do mundo em que vivemos, propondo uma reflexão sobre as mazelas que atingem o homem gay que vive em grandes cidades. Homossexualidade, nudez e violência se transformam em cenas quase hipnotizantes, brutais, carnais e eróticas que simbolizam o perigo de algumas ideologias destruírem grandes avanços que a sociedade atingiu ao longo das últimas décadas.

“Atualmente, a arte, bem como as artes cênicas, podem criar um lugar além do poético, e acreditamos que estimular uma visão crítica do mundo em que vivemos é fomentar uma reflexão para além do óbvio”, comentam os diretores D’Avilla e Denny.

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O espetáculo “Demônios” é de caráter experimental e violento, com nítido desejo de insurreição, e dá sequência à pesquisa “Homo Eros” que visa refletir sobre aspectos sociais, críticos e poéticos da comunidade gay.

“Após o término do trabalho anterior (“Anatomia do Fauno”), vimos novos caminhos e novas investidas em resgatar mitologias e trazê-las para a atualidade num espetáculo performativo visceral”, conta Denny.

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D’Avilla explica que um dos pontos fundamentais para o espetáculo é a proximidade com o público, pois já tiveram essa experiência anteriormente e foi muito positivo. Por isso, o grupo optou pelo formato arena, em que as pessoas assistem à performance dos atores no mesmo nível do palco.

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A performance é dividida em três atos, cada um identificado por uma cor. O vermelho simboliza a crítica aos processos de consumo e descarte, aborda ainda aspectos de posse nos relacionamentos amorosos, a fetichização dos armamentos bélicos, a frieza nas relações sociais e nas rotinas do sistema de trabalho e automatismos cotidianos. O bloco preto é o mais melancólico, tem apelo mental e subjetivo, trata de temas como depressão, suicídio, estigmas, doenças e solidão. Por fim, o bloco branco retrata os tempos de emergente conservadorismo e o neofascismo da sociedade atual. Atividades de higienização contra minorias que antes eram ocultas e hoje tem grande voz.

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Com duração de 1h40 minutos, 14 integrantes em cena, três grandes trocas de cenários, esculturas vivas e uma trilha sonora criada e mixada no sistema binaural (que permite, com uso de fones de ouvido, determinar a direção da origem dos sons), “Demônios” é um tenso alívio criativo no cenário do teatro paulistano. Dramatizado sem falas, explora as práticas corporais mais alinhadas à performance e à dança, em tom catártico e apocalíptico.

Demônios
Onde: TUSP
Endereço: Rua Maria Antonia, 294 – Vila Buarque – São Paulo – SP
QuandoDe 28 de junho a 15 de julho (quinta a domingo)
Horário: De quinta a sábado às 21h. Domingo 19h
Ingresso: R$30 inteira – R$15 a meia
Onde comprar: No local, na data do espetáculo.
Acesso para cadeirantes: SIM
Classificação: 18 anos

Fotos: Chico Castro e Val Coe

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