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Confira a agenda de exposições em 2018 do MASP de São Paulo

Postado por Alisson Prando / 12 December, 2017

Na programação de 2018, o Museu de Arte de São Paulo dedica-se a artistas negros como Aleijadinho, Maria Auxiliadora, Sonia Gomes e Melvin Edwards.

O Museu de Arte de São Paulo, mais conhecido pelo acrônimo MASP, foi inaugurado na década de 60 com arquitetura de Lina Bo Bardi e é um dos espaços mais expressivos em termos de cultura e história da arte na América Latina.

Em 2018, ele realiza oito mostras: as primeiras delas acontecerão em março.

ALEIJADINHO

A primeira mostra se debruça sobre a produção de Aleijadinho, escultor brasileiro negro considerado uma das maiores referências da arte barroca.

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Obra A Subida do Calvário

Aleijadinho nasceu em Vila Rica no ano de 1730 e era filho de uma escrava com um mestre de obras português. Em suas esculturas estão presentes características do rococó e dos estilos clássico e gótico. Utilizou como material de suas obras de arte, principalmente a pedra-sabão, matéria-prima brasileira. A madeira também foi utilizada pelo artista.

Morreu pobre, doente e abandonado na cidade de Ouro Preto no ano de 1814 (ano provável). O conjunto de sua obra foi reconhecido como importante muitos anos depois. Atualmente, Aleijadinho é considerado o mais importante artista plástico do barroco mineiro.

MARIA AUXILIADORA

A pintura de Maria Auxiliadora buscou representar seu cotidiano através de muitos temas. Sua obra é reconhecida pela crítica internacional, principalmente por retratar temáticas tipicamente brasileiras. Sua obra foi vista pelos críticos como ato de resistência pessoal (contra a sua doença) e social, pois revela em suas pinturas o cotidiano da população mais pobre.

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Obra Candomblé

Nascida em Campo Belo, Minas Gerais, era de uma família de 18 irmãos, filhos de Dona Maria, uma humilde bordadeira, que acumulava ainda as funções de dona de casa, escultura e pintora e de trabalhadora braçal da estrada de ferro Oeste de Minas (Rede Mineira de Viação- RMV). Mudou-se com a mãe e seus irmãos para São Paulo, na esperança de melhores oportunidades que a capital paulista podia oferecer.

Talentosa desde a infância para a arte, mesmo sem educação formal, Auxiliadora dedicou-se ao artesanato, artes plásticas, e exibia seus trabalhos na Praça da República em São Paulo. O reconhecimento de sua obra se deu postumamente, principalmente pela crítica internacional e mecenatos europeus e norte-americanos. Segundo seus críticos, Auxiliadora passava para a tela a sua leitura da realidade de seu cotidiano.

HISTÓRIAS AFRO-ATLÂNTICAS

A mostra homônima, “Histórias Afro-Atlânticas”, irá entrelaçar e aproximar, pela primeira vez e em larga escala, imagens provenientes da África, das Américas, do Caribe e da Europa, do século XVI ao XXI, abrangendo uma variedade de tópicos – retratos, viagens e tráfico, celebração e religião, liberdade e abolição, punição e insurreição, ativismo, bem como afro-modernismo. O seminário de discussão de dois dias incluirá esses temas e terá a participação de curadores, artistas, ativistas, pesquisadores e escritores. A exposição será organizada em conjunto pelo MASP e Instituto Tomie Ohtake.

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Acervo de Histórias Afro-Atlânticas

Na curadoria dessa exposição estão além dos curadores do Museu, Adriano Pedrosa, Tomás Toledo e Lilia Schwarcz, o artista Ayrson Heráclito, cuja obra é dedicada à reflexão sobre questões da população negra, e o pesquisador Hélio Menezes, que nos últimos anos também tem estudado o assunto.

Em agosto, o MASP abre as portas para outras mostras:

MELVIN EDWARDS

Escultor e artista plástico ainda vivo, Melvin é afro-americano e é um pioneiro nas artes contemporâneas. Nasceu em Houston, Texas, ele começou sua carreira artística na Universidade do Sul da Califórnia, onde conheceu e foi orientado pelo pintor húngaro Francis de Erdely.

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Melvin Edwards em meio a matéria-prima de suas obras

Em 1965, o Museu de Arte de Santa Bárbara organizou a primeira exposição individual da Edwards, que lançou sua carreira profissional. Ele se mudou para a cidade de Nova York em 1967, onde pouco depois de sua chegada, seu trabalho foi exibido no então criado Museu de Estúdio, e em 1970 se tornou o primeiro escultor afro-americano a ter obras apresentadas em uma exposição individual no Museu Whitney.

RUBEM VALENTIM

Escultor, pintor, gravador, professor. Inicia-se nas artes visuais na década de 1940, como pintor autodidata. Entre 1946 e 1947 participa do movimento de renovação das artes plásticas na Bahia, com Mario Cravo Júnior (1923), Carlos Bastos (1925) e outros artistas. Em 1953 forma-se em jornalismo pela Universidade da Bahia e publica artigos sobre arte. Reside no Rio de Janeiro entre 1957 e 1963, onde se torna professor assistente de Carlos Cavalcanti no curso de história da arte, no Instituto de Belas Artes. Reside em Roma entre 1963 e 1966, com o prêmio viagem ao exterior, obtido no Salão Nacional de Arte Moderna – SNAM.

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Esculturas de Rubem Valentim

Em 1966 participa do Festival Mundial de Artes Negras em Dacar, Senegal. Ao retornar ao Brasil, reside em Brasília e leciona pintura no Ateliê Livre do Instituto de Artes da Universidade de Brasília – UnB. Em 1972, faz um mural de mármore para o edifício-sede da Novacap em Brasília, considerado sua primeira obra pública.

O crítico de arte Frederico Morais elabora em 1974 o audiovisual A Arte de Rubem Valentim. Em 1979, Valentim realiza escultura de concreto aparente, instalada na Praça da Sé, em São Paulo, definindo-a como o Marco Sincrético da Cultura Afro-Brasileira e, no mesmo ano e é designado, por uma comissão de críticos, para executar cinco medalhões de ouro, prata e bronze, para os quais recria símbolos afro-brasileiros para a Casa da Moeda do Brasil. Em 1998 o Museu de Arte da Moderna da Bahia – MAM/BA inaugura a Sala Especial Rubem Valentim no Parque de Esculturas.

Já em novembro, o MASP tem duas ocupações artísticas e uma mostra da carioca Lucia Laguna:

OCUPAÇÃO: PEDRO FIGARI

Pintor, advogado, político, escritor e jornalista uruguaio, Pedro Figari é uma das figuras mais importantes da América Latina. Nasceu em Montevidéu, em 1861. Foi ativo como um político no parlamento, jornalismo e como um assessor para Batlle y Ordóñez, presidente em dois períodos. Se destaca em sua campanha para a abolição da pena de morte, e como Defensor de Oficio, sua defesa da Alférez Almeida, acusado injustamente de assassinato, atuação que cria complicações financeira e prestígio, embora tenha triunfos em vários julgamentos.

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Obra Off For The Honeymoon

Sua atuação como diretor da Escola de Artes e Ofícios, em seguida, Escola Industrial, é formidável, e pela mesma importância que ele consegue dar, passa a temer transcendência política, e na discussão que é gerada se decepciona e abandona o tema.

Se concentra então na pintura que ele sempre tinha havia praticado como um aficionado, e em 1921 enviou pinturas para uma exposição em Buenos Aires. Tem pouco sucesso comercial vendendo um único quadro, mas é recebido com entusiasmo no ambiente cultural, ali se radica e continua seu trabalho. Em 1925 enviou obras para Paris, e desta vez o resultado comercial é bom então viaja e pinta em Paris até 1933, quando embarca de volta e chega a Montevideo em 1934.

Foi certamente autodidata até certo ponto, mas certamente não “começou a pintar aos 60 anos de idade”. Em vez disso, foi preparado por 58 anos.

OCUPAÇÃO: SÔNIA GOMES

As obras de Sonia Gomes se edificam sobre tecidos antigos, passados, pedaços de vida que são transformados e submetidos a bordados e torções se tornando esculturas de pano e arquitetura impregnada de memória que esbarra em questões de identidade racial em um elo vital com a vida da artista.

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Costura de Sonia Gomes

Nascida em Caetanópolis, MG, de mãe negra e pai branco, Sonia Gomes é uma fusão também de muitas lembranças. Sônia traz a influência forte da avó, parteira, benzedeira e useira de rodilhas na cabeça. Da família branca, herdou a ruminação dos guardados, das fotos, dos retalhos de tecidos vindos da fábrica, dos afetos fragmentados.

Sonia faz arte para se expressar e para que o instante vivido possa ser trazido novamente à vida. Entre o popular e o erudito, o mundo da artista mineira remete-nos a uma poderosa tradição brasileira que transforma materiais instáveis e difíceis em arte permanente e contemporânea na trama extremamente inventiva de suas colagens e construções.

Após a primeira exposição em 1994 a artista cursou livremente disciplinas na Escola Guignard, UEMG e na UFMG e participa ativamente, desde então, de mostras solo e coletivas como as do Sesc Belenzinho em São Paulo e a X Bienal Nacional de Santos.

LUCIA LAGUNA

Ao se aposentar da carreira de professora de escola municipal em 1993, aos 52 anos, a fluminense Lucia Laguna, formada em letras, resolveu ocupar o tempo com um novo hobby. Iniciou no ano seguinte um curso de pintura na tradicional Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Em pouco tempo, a artista novata exibiu sua produção em exposições coletivas e atraiu a galerista carioca Laura Marsiaj. Suas obras têm alto valor e conquistaram a admiração de críticos conceituados, como Paulo Herkenhoff e Agnaldo Farias.

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Obra Anúncios

Hoje ela tem 70 anos, e tem obras que versam sobra abstração e figuração. Foi Professora de Literatura Brasileira, Portuguesa e Latina. Frequentou diversos cursos na EAV (Escola de Artes Visuais) do Parque Lage – RJ onde estudou com Charles Watson, Paulo Sergio Duarte, Katie Van Scherpenberg, Agnaldo Farias, Fernando Cocchiarale, Luís Ernesto.

Fotos: ®Reprodução

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