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Blade Runner
Cult +

Tudo Sobre o Legado Estético e Filosófico de Blade Runner

Postado por Alisson Prando / 4 October, 2017

Com estreia marcada para 05 de outubro, ‘Blade Runner 2049’ reúne elenco que vai de Ryan Gosling à Robin Wright, Harrison Ford e Jared Leto, e promete rememorar febre do ícone cult dos anos 80.

A década de 80 foi responsável por gerar altas revoluções em diversos mercados: a música de Madonna, Michael Jackson, Pet Shop Boys e Eurythimics; o cinema de Exterminador do Futuro, ET – O Extraterrestre, tecnologias como o cartão de crédito, fitas VHS e o disquete são todos frutos da década que mudou o mundo.

Sem dúvida alguma, um dos ícones culturais que mais sobreviveu aos tempos efêmeros vividos atualmente é o fenômeno ‘Blade Runner’, a obra-prima da ficção científica, dirigida por Ridley Scott, que fracassou nas bilheterias em 1982 para anos depois, virar um clássico cult.

Blade Runner

Arte conceito do primeiro longa de Blade Runner, lançado em 1982

Filmado no início dos anos 80, ‘Blade Runner’ estreou em 1982 e não somente dividiu a opinião da crítica, como também não foi um sucesso absoluto de bilheteria. Somente depois que foi parar nas locadoras de vídeo é que o filme ganhou status de clássico do cinema.

O roteiro é o seguinte: no início do século XXI, uma grande corporação desenvolve um robô que é mais forte e ágil que o ser humano e se equiparando em inteligência. São conhecidos como replicantes e utilizados como escravos na colonização e exploração de outros planetas. Mas, quando um grupo dos robôs mais evoluídos provoca um motim, em uma colônia fora da Terra, este incidente faz os replicantes serem considerados ilegais na Terra, sob pena de morte.

Blade Runner

Superior: capitão do departamento de Polícia de LA. Inferior: apartamento do J. F. Sebastian, engenheiro genético

A partir de então, policiais de um esquadrão de elite, conhecidos como Blade Runner, têm ordem de atirar para matar em replicantes encontrados na Terra, mas tal ato não é chamado de execução e sim de remoção. Até que, em novembro de 2019, em Los Angeles, quando cinco replicantes chegam à Terra, um ex-Blade Runner (Harrison Ford) é encarregado de caçá-los.

Blade Runner

Telões gigantes e carros voadores faziam parte do futurismo cyberpunk pensado para o filme

Baseado no conto “Do Androids Dream With Electric Sheep”, do mestre da ficção científica Philip K. Dick, “Blade Runner” usa a caçada policial como subterfúgio para promover uma reflexão sobre inúmeras questões da natureza humana: quem somos, de onde viemos, para onde vamos, por que estamos aqui? Afinal de contas, o que é ser humano?

O que faz ‘Blade Runner’ de fato encantador é que o filme traz questionamentos angustiantes, através de uma estética única e arrebatadora.

A MODA

Blade Runner

Michael Kaplan e Charles Knode foram os responsáveis pelos figurinos de Blade Runner

Um dos aspectos mais relevantes do filme ‘Blade Runner’ é a moda, que até hoje impacta desfiles de marcas como Balenciaga, Jean Paul Gaultier, Raf Simons e Elie Saab. Parte do figurino, inclusive foi exposta em 2011 no Victoria and Albert Museum.

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Os replicantes Roy Batty e Pris Stratton seguem a estética punk, em alta nos anos 80

A montagem de figurino de ‘Blade Runner’ foi composta por Michael Kaplan e Charles Knode – que já assinaram longas como ‘Flashdance’ e ‘Clube da Luta’. Para a direção de arte e figurino, eles usaram como inspiração o período entre o final da década de 1930 e meados da década de 1940, bem como o film noir. Este gênero influencia todo o conjunto, da trama centrada em um protagonista moralmente ambíguo e uma femme fatale, aos constantes jogos de luz, sombra e fumaça que compõem as cenas.

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Dick Deckard é o caçador de andróides a serviço da Polícia de Los Angeles e protagonista do filme

O protagonista do filme, Harrison Ford, usa um grande sobretudo caramelo e looks em tons terrosos, e os outros personagens, como androides e replicantes tem sua estética baseada no futurismo e cyberpunk. Rachel, personagem de Sean Young, é assistente do Dr. Tyrell, criador dos replicantes, e faz a linha fina, de terninho com ombreiras, cintura marcada e salto alto.

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Rachel é a replicante perfeita e tem como marca registrada no seu look as grandes ombreiras dos anos 80

O doutor, aliás, é um dândi, com terno azul e gravata-borboleta. Já a androide Pris tem um dos figurinos mais famosos, com uma pegada urbana, decadente, heroin chic, usando transparências, rasgos e maquiagem pesada em seus olhos.

A TRILHA SONORA

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A continuação Blade Runner 2049 se passa 30 anos após os episódios do longa original

Se no filme original de 1982 a trilha sonora composta por Vangelis era recheada de sintetizadores e extremamente importante, o mesmo ato foi repetido no filme ‘Blade Runner 2049’, continuação do longa que estreia no dia 05 de outubro nos cinemas do mundo todo.

“Os sons têm que ser sons que existam e façam sentido no mundo de Blade Runner. Não é o mesmo do filme original, porque essa é uma continuação e não um remake, muito tempo se passou, então é um som diferente”, comentou Jóhansson, compositor atual da trilha sonora de ‘Blade Runner 2049’.

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Ryan Gosling entra para o time de atores da franquia de ficção científica

“Obviamente, a música de Vangelis é um elemento importante para o filme original, e eu acho que a trilha sonora será o elemento mais fundamental desse filme também. É uma responsabilidade enorme, especialmente porque eu amo a trilha de Vangelis”, disse ainda.

AS INFLUÊNCIAS

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O cyberpunk é o gênero que influenciou o cinema dos anos 80, mesclando ficção científica e evolução tecnológica

Se ‘Blade Runner’ é influenciado por longas como o clássico ‘Metrópolis’ do expressionismo alemão, ele certamente influenciou muitos outros filmes de ficção científica, como ‘Elysium’ e ‘Total Recall’, seja em termos estéticos ou em seu argumento filosófico.

‘Blade Runner’ mostra uma sociedade totalmente verticalizadas: os androides em si são escravos, mas a própria população que vive na base das torres verticais também são escravos pagos, onde o único direito é não ser morta por um Blade Runner.

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Com tom apocalíptico e caótico, Blade Runner reflete o caminhar da sociedade para um mundo em degradação

Os bilionários percorrem Los Angeles com os seus carros voadores, enquanto a população usa ônibus pré-guerra terminal, taxi, lotação, microcarros, carros pré-guerra ou antigos carros voadores descomissionados para voo, como o carro do Deckard.

NOITÃO DA CAIXA BELAS ARTES

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Blade Runner 2049 estréia no dia 05 de outubro prometendo ser o evento de ficção cienítfica de 2017

Um dos programas mais queridos do público do Caixa Belas Artes, o Noitão movimenta as madrugadas na esquina da av. Paulista com a Consolação, em São Paulo, com sessões mensais. A tradicional maratona de filmes envolve três ou mais salas do cinema, com programações diferentes à escolha do cinéfilo. São três longas exibidos em sequência, com sorteios de prêmios, filmes-supresa, música nos intervalos das sessões e café da manhã para os ‘sobreviventes’ do evento, que encerra na manhã de sábado.

E preparando um aquecimento para a estréia da sequência Blade Runner 2049, o próximo Noitão acontece neste final de semana, com filmes como ‘O Quinto Elemento’, de Luc Besson (1997), ‘O Vingador do Futuro’, de Paul Verhoeven (1990) e outros dois filmes-surpresa. Você pode acompanhar a programação completa neste link.

Fotos: ®Reprodução

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