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Livros com Personagens Queer Adaptados Para o Cinema

Postado por What Else Mag / 16 March, 2018

Das páginas para as telas, várias adaptações no cinema de obras literárias com temática LGBT buscaram a diversidade sexual e afetiva. Conheça 5 narrativas importantes sobre o tema dos últimos 60 anos.

Não é a primeira vez que o escritor e roteirista Alexandre Rabelo convida seu amigo cineasta Lufe Steffen para debater esta série de personagens queer LGBTs, saídos de livros e adaptados para a telona com grande sucesso nas últimas seis décadas, mas essa nova edição do curso no Museu da Imagem e do Som em São Paulo é um evento a se celebrar, sobretudo num período tão pouco refratário à diversidade como esse em que estamos vivendo.

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Diretor Ang Lee dirigindo o ator Heath Ledger no set de filmagem do longa ‘O Segredo de Brokeback Mountain’ de 2005

É importante que um lugar tão celebrado da cidade como o MIS, responsável por exposições de tantos grandes nomes do cinema e da música, aposte em abrir esse espaço de debate sobre as linhas narrativas que permeiam a história desse eixo temático tão presente hoje, mostrando gays, lésbicas e trans vivendo problemas distintos das velhas questões do preconceito e aceitação, e ocupando novos espaços em outros debates ainda mais amplos, como os rumos da arte nesse tempo de caos.

Rabelo destaca exclusivamente para a What Else Mag algumas dessas grandes histórias em que a diversidade afetiva oferece uma alternativa mais humana ao convívio, nesses tempos de aceleração dos conflitos e caça à liberdade de expressão.

MORTE EM VENEZA

Autor: Thomas Mann
Adaptação: Luchino Visconti

Essa novela curta do mestre alemão se instalou para sempre nas listas dos melhores livros de todos os tempos. Conta as últimas semanas na vida de um grande músico alemão, já velho, buscando um respiro numa Itália idílica que ele, e ninguém, nunca alcançam. Ele representa o homem do velho continente que deixa de existir após a primeira guerra mundial, e se vê obcecado por um jovem adolescente do leste europeu e que encontra na mesma estação balneária.

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Cena do filme ‘Morte em Veneza’ de 1971

De nome quase em pronunciável, Tadzio representa uma paixão platônica que fará com que o escritor retarde sua estadia na cidade de Veneza, mesmo sob o risco de uma epidemia de cólera que assola a cidade e que simboliza que a podridão está no ar. Em poucas páginas, este suspense trágico reflete os limites entre juventude e velhice, arte clássica e arte primitiva, intelecto e paixão, beleza e ideal, mas principalmente o destino histórico do mito do gênio criador europeu como mito da paternidade falida. A agonia e êxtase do velho criador nos olhos de impotência da beleza exuberante e frágil.

MAURICE

Autor: E. M. Forster
Adaptação: James Ivory

Muito antes de ganhar o Oscar de melhor roteiro por “Me chame pelo seu nome”, este diretor inglês adaptou para a telona mais um clássico do renomado escritor vitoriano. O filme de 1987 retrata a história de amor entre dois estudantes em Cambridge.

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Cena do filme ‘Maurice’ de 1987

E como, em algum momento, seus caminhos se bifurcam quando um deles resolve levar a boa vida familiar e manter a tradição de seu clã, enquanto o outro, ao invés de se deixar derrotar, segue como amante e companheiro do empregado da casa de seu ex grande amor, e com ele foge para uma mítica Argentina que os espera com menos preconceito, naqueles últimos anos do grande reinado britânico repressor e moralista. Maurice é um marco do realismo modernista e do romance histórico gay.

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN

Autor: Annie Proulx
Adaptação: Ang Lee

Foi uma escritora, uma mulher do meio oeste americano, um dos rincões mais tradicionais do patriarcado autoritário nos Estados Unidos, quem escreveu este relato conciso e sensível sobre a história de amor entre dois vaqueiros que se encontram pela primeira vez para serem pastores de ovelhas numa montanha paradisíaca.

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Cena do filme ‘O Segredo de Brokeback Mountain’ de 2005

Mais uma vez temos a história de um casal em que um opta por mudar de cidade e viver numa marginalidade mais livre, enquanto o outro prefere seguir com a tradição da família, mesmo a custo de frustração, amargor e luto. O olhar feminino da escritura foi fundamental nas descrições de cenas de sexo e nos diálogos secos, mas profundos e amorosos, entre os dois machões.

AZUL É A COR MAIS QUENTE

Autor: Julie Maroh
Adaptação: Abdellatif Kechiche

Muitas pessoas consideraram esse filme sobre o primeiro amor entre duas mulheres como universal, embora muitas lésbicas tenham reclamado do caráter fetichista com que se viram representadas em algumas cenas de sexo, se bem que todas caibam muito bem na história de descoberta da paixão, febril.

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Cena do filme ‘Azul É a Cor Mais Quente’ de 2013

A adaptação cinematográfica foca nos primeiros tempos da relação entre elas, já nos quadrinhos, acompanhamos o que acontece ao longo de muitos anos depois, como a relação posterior delas com o mundo acadêmico, a militância, os destinos sociais e econômicos de seu país e do mundo e, por fim, com a doença, a morte e a separação.

O BEIJO DA MULHER ARANHA

Autor: Manuel Puig
Adaptação: Hector Babenco

Este romance argentino coloca numa mesma cela de prisão um guerrilheiro que lutava contra a ditadura militar em seu país e uma espécie de figura trans, contadora de histórias, feiticeira, traidora, interessada em se salvar, de preferência com o maior conforto possível, fora dessa história toda de homens que se instalou.

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Cena do filme ‘O Beijo da Mulher-Aranha’ de 1985

Valendo-se do imaginário de Hollywood antigo, dos filmes de mulheres fatais, espiões e guerras, um conta ao outro sua trajetória e cria em seu corpo uma outra possibilidade de conhecimento em comum. Chegou até o Oscar. Coloca diferentes tipos de marginalizados lutando por interesses muitas vezes opostos.

Para saber mais sobre estes e outros filmes, livros e peças que serão debatidos no curso Cinema e Literatura LGBT no MIS, que ocorrerá a partir do próximo dia 21 de março, acesso o site. Ainda há algumas vagas e as inscrições podem ser feitas online.

Fotos: ®Reprodução

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