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Fashion

Maximalismo Pop renova a moda jovem brasileira

Postado por Thássio Marcelo Aragão / 23 May, 2017

Novos designers que desfilam suas coleções no evento Casa de Criadores investem em roupas diversas e com streetwear carregado de referências da cultura pop que agrada o público fashionista carente de opções no mercado nacional. Confira as coleções!

O terceiro dia, dia 10/05, da 41ª edição Casa de Criadores foi marcado pelo maximalismo pop no melhor do sportswear e streetwear alinhado com os fenômenos culturais que fazem sucesso com o público jovem brasileiro. As referências são claras e ousadas, transitando pelos ícones pop que mexem com o desejo do consumidor moderno. Selecionamos as seguintes marcas do line-up que mostram novas propostas para a moda masculina:

Rafael Caetano

maximalismo pop

Atuando no mercado de moda há quase 10 anos, Rafael Caetano lançou a marca que leva o seu nome em 2009 e desde então só acumulou sucessos no seu caminho como designer criativo, passando por marcas renomadas como CavaleraVR e recentemente Adriana Degreas.

Especialista em criação, foi dentro da Casa de Criadores que o estilista ganhou o passaporte para desenvolver seus trabalhos mais autorais, como a atual coleção, que o estilista homenageou à cultura drag, incluindo no desfile a trilha sonora da famosa drag queen americana RuPaul.

maximalismo pop

Com códigos streetwear reinterpretados com pink, paetês, estampas coloridas e divertidas e acessórios que complementam o mood da coleção, Rafael faz roupa divertida e casual com design esportivo para um consumidor que não tem medo de ousar e expressar seu estilo nas ruas.

Diego Fávaro

maximalismo pop

Nesta temporada o designer de 27 anos transformou com maestria um momento angustiante da sua vida em expressão artística. Diego Fávaro sofreu de depressão no passado e decidiu abordar esse sentimento tão angustiante no tema da sua nova coleção na Casa de Criadores. Para isso, um grito de socorro ecoou na passarela do estilista. Segundo ele:

“Pedidos de socorro são feitos a cada instante ao redor do mundo; físicos, causados por acidentes, e psicológicos, causados por depressões. Em alguns momentos da minha vida, tive que gritar por socorro psicológico. Usei cores e símbolos usados com frequência em pedidos de ajuda, tecidos confortáveis que constroem peças aconchegantes que aquecem o corpo, tecidos encerados que dão rigidez e estrutura para parkas e calças e muitos acessórios utilitários.”

Diego possui uma marca muito querida pelos personagens da noite paulistana, como DJ’s e promotores, devido ao traço teatral de suas roupas. Com uma bela carreira em ascensão meteórica, ele já possui uma loja virtual e em novembro deste ano desfilará pela primeira vez fora do país (um desfile em La Serena e outro em Santiago – Chile).

Caroline Funke

maximalismo pop

A coleção da Caroline Funke foi desenvolvida com base no segundo conto do livro de histórias da marca, dessa vez chamado Baile de Máscaras. De acordo com a estilista:

“Quando relacionamos alguém ao uso de máscaras, somos levados à idéia da falta de veracidade existente nos discursos, à mentira e à falsidade. Mas não é sobre esse tipo de máscara que quero abordar nesse conto. O conto fala sobre os dias em que nos vestimos de sentimentos opostos ao que estamos realmente sentindo e que, por algum motivo, não podemos expressá-los. Assim sendo, somos colocados em uma espécie de fabrica do sentir, fazendo com que essa engrenagem nos dê, de alguma forma, vida. São esses dias que nos questionam, nos interrogam, fazendo florescer a verdade em nós.”

maximalismo pop

E para a criação do Verão 2017/18, Caroline se inspirou na dualidade de sentimentos que fala no conto. Trazendo detalhes com referências em trajes de gala dos bailes de diferentes épocas – em formas, modelagens e texturas – de forma contemporânea. Buscando variedade de tecidos visando qualidade e conforto, a marca trouxe algodão com toque de seda, crepe, sarja, cetim e outros. Já a paleta de cores é bem eclética, carregada de preto, branco, bege, azul, vermelho, amarelo, verde e pink.

A marca nasceu em março de 2015 (junto de sua loja física) sendo surrealista em sua essência e, com a idéia de que cada vestimenta é uma página em branco da qual carregam suas memórias vividas. Ela desfilou na Casa de Criadores integrando o Projeto LAB, que valoriza e apoia o trabalho de novos estilistas

ACRVO

maximalismo pop

A coleção de Verão da ACRVO conta com uma parceria junto ao filme inspirado no livro do Danilo Gentili que será estreado no segundo semestre do ano. O filme “Como Se Tornar O Pior Aluno Da Escola”, dirigido por Fabrício Bitar, conta a história de Bernardo (Bruno Munhoz) e Pedro (Daniel Pimentel) que não se encaixam às regras consideradas politicamente corretas impostas pelo diretor Ademar (Carlos Villangrán), e após momentos de frustração, Pedro encontra no banheiro do colégio um diário contaminado de dicas e ensinamentos para instaurar o caos na escola sem ser notado.

maximalismo pop

A coleção de nome “ISCOOL orSCHOOL?”, retrata um universo colegial “break therules”, que busca dar voz a diversas personalidades, enaltecendo e celebrando as diferenças presentes no ambiente escolar. Estereótipos considerados “fora dos padrões” ganham formas repletas de atitude e identidade.

Pregas, bordados, xadrez, rabiscos de carteira, cálculos e muito mais representado de uma forma descolada e bem humorada, numa cartela de cor sóbria com alguns contrastes que marcam a coleção. A coleção conta com um desenvolvimento autoral de estampas criadas a partir de ilustrações manuais feitas pelos estilistas.

maximalismo pop

Os designers Hugo Ito e Lucas Romano da ACRVO também integram o Projeto LAB da Casa de Criadores. A marca representa a contemporaneidade, o crossover do mundo moderno, a mistura de referências e estilos dentro de uma única proposta.

Senplo

maximalismo pop

Terceira e última marca com projeto de moda masculina dentro do Projeto LAB, a Senplo é uma label lançada em 2013, criada pelo designer Rafael Schneider e seu sócio Daniel Bossle. Inspirada na fusão entre o urbano cosmopolita e a natureza em seu estado bruto, a senplo busca enfatizar um novo ponto de vista sobre o tropicalismo, mais sóbrio e reflexivo.

Misturando conceitos tradicionais a uma visão moderna, a marca testa os limites do formal e casual, criando uma forma de expressão que harmoniza elegância e despojamento. A cada capítulo a Senplo solidifica sua percepção de estilo, baseando-se em uma unidade estética progressiva, que evolui a cada coleção conforme as percepções dos seus fundadores.

maximalismo pop

No seu último desfile, a Senplo tentou encontrar o ponto ideal entre o clássico e o despojado, mostrando que conforto e elegância podem andar juntas desde que se tenha senso e inteligência para se interpretar os códigos. Segundo os designers:

“Neste desfile decidimos fazer um calçado que pudesse transmitir o nosso conceito, fizemos um sapato social masculino sem cadarço, com fechamento em elastico e cabedal em couro furado, porém a parte interna tem estrutura de calçado esportivo, chocando dois mundos mas sem esquecer da estética e da funcionalidade, podendo ser usado tanto com meia como sem meia.”

maximalismo pop

Testando modelagens casuais que se misturam a modelagens formais, recortes fluidos, cartela de cores monocromáticas e materiais por vezes texturizados e armados, por vezes delicados e lisos, a Senplo define a sua linguagem estética, que transforma o convencional em algo fresco e contemporâneo. Sobreposições, proporções renovadas e o jogo entre os contrastes definem a imagem que a grife possuí de si, desta busca por equilíbrio em um Brasil que vive o dilema entre a cidade e a praia.

Alex Kazuo

maximalismo pop

A coleção desenvolvida para o desfile do Alex Kazuo não tem um tema específico nem uma inspiração como ponto de partida. Nas palavras do estilista:

“Sempre dou preferência para materiais de descarte e tecidos de fibra orgânica no desenvolvimento das coleções. O preto continua sendo minha cor predileta e o Japão minha principal referência. Os acabamentos artesanais. É tudo muito artesanal. A vida no campo também me inspira muito.”

Nesta edição o diretor criativo também apresentou uma coleção cápsula de bolsas, feita em parceria com o designer Luca Mirandola, da marca Rivetto. O duo testou novas combinações de materiais e experimentaram técnicas de acabamento pouco utilizadas na produção atual de bolsas e acessórios em couro. Foram criadas peças com design limpo e atemporal que se adaptam às diferentes necessidades do dia a dia. O fio condutor da coleção é a costura manual, presente em todas as peças.

maximalismo pop

Cada roupa, apesar de sua aparente simplicidade, esconde um longo e cuidadoso processo de confecção artesanal, marca do estilista Alex Kazuo.

Fotos: Felipe Rufino e Marcelo Soubhia

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