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Em novo álbum Joanne, Lady Gaga assume persona country-pop

Postado por Alisson Prando / 20 October, 2016

Nascida e amadurecida na música pop chiclete, com passagens pelo rock, música eletrônica e até jazz, Lady Gaga se reinventa em nova fase, assumindo um som pouco comercial que promete ser um divisor de águas entre os fãs da cantora e na sua carreira.

Lady Gaga é uma das mulheres que mais trabalha na indústria fonográfica atualmente. Tendo alcançado seu estrelato no excelente disco debut The Fame, em ‘Joanne‘, agora seu quinto álbum lançado pela Interscope, a norte-americana reflete as dores e as delícias de ser uma estrela POP global. Em entrevistas, a fim de divulgar o novo material, se diz isolada pela fama, o que a fez tentar manter-se “família” (com frequência Gaga atende os clientes do restaurante ítalo-americano de seu pai).

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Com programação para performar no Super Bowl de 2017, Lady Gaga tem um grande desafio à vista: convencer seus fãs, a imprensa e a industria fonográfica de que é uma artista indie, eclética, distante da habitual imagem de cantora POP performática e fashionista dos anos anteriores. De fato, ‘Joanne’ coloca distância entre a cantora e as atuais grandes plataformas POP de rádio e arena.

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A motivação por trás de Indie Gaga se dê, talvez, por conta de seus novos colaboradores musicais. Pela primeira vez pode-se dizer que Lady Gaga deixou para trás produtores como Rob Fusari (“Paparazzi”), RedOne (“Just Dance”/”Poker Face”/”Bad Romance”) e Garibay (“Born This Way”/”The Edge Of Glory”). Agora ela firma parceria com o australiano Kevin Parker da banda Tame Impala, que assina a estridente “Perfect Illusion” (primeiro single, que não faz jus ao resto do disco), Mark Ronson, produtor inglês que recebeu aclamação da crítica pelo álbum ‘Back to Black’ de Amy Winehouse e BloodPop, colaborador americano que finalizou ‘Joanne’ com algumas camadas sutis de EDM (“A-Yo”, que relembra os tempos de “Manicure” em ‘artPOP’). Ainda sobre ‘artPOP’ (2013) é importante mencionar que ‘Joanne’ é infinitamente mais consistente e coeso que o disco anterior pautado entre rock e EDM. Os musicistas por trás de ‘Joanne’ alinharam muito bem os instrumentos acústicos como guitarras e baixos viciantes (“Sinner’s Prayer” tem a bass line mais bela da carreira da artista).

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Cheio de mensagens de paz liricamente, por vezes ‘Joanne’ pode soar clichê e demasiado humanista. É como se Gaga estivesse abandonando a persona pós-feminista inaugurada em The Fame: Monster e estivesse dando luz a uma persona que vem em busca de paz e comunhão. Verdade seja dita, “Hey Girl” parceria com Florence Welch não tem metade da força e nem impacto que a parceria feminista com Beyoncé em “Telephone”.

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“Dancin’ in Circles” versa sobre masturbação, enquanto a produção beira ao tropical-house-Diplo-oriented, mas ainda consegue manter a assinatura de Gaga. “Come to Mama” é essencialmente classuda e mostra uma Gaga orientada pela sonoridade de ouro produzida pelos Beatles. “Joanne”, faixa que dá título, ao disco serve como homenagem à sua tia, que morreu quando Gaga tinha dezenove anos.

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Inspirada por Amy Winehouse, John Wayne e Dolly Parton, com esse disco, Lady Gaga com certeza irá dizer adeus à boa parte de seus fãs, especialmente os mais jovens, ensandecidos por dance music, que se desapontarão com a sonoridade country-rock de ‘Joanne’. Gaga é uma das maiores artistas da geração, mas nos próximos passos pode enfrentar grande resistência do mainstream, que possivelmente não se curvará aos talentos auráticos de uma performer que insiste em surpreender sua audiência.

Fotos: ®Reprodução

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