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Streetwear em SP floresce com novos designers da cena clubber

Postado por Tiago Santos / 23 March, 2017

Porque uma grande festa precisa de gente bem louca e música boa. E a cena clubber de São Paulo consegue reunir esses dois elementos com a ajuda da nova safra de jovens estilistas que fazem moda expressiva sem ditames ou regras do universo mainstream. Com um seleto público consumidor avido por novidades, que frequenta as festas de techno paulistana, confira quem são os 5 nomes que estão mudando a cara da noite underground.

Paisagens urbanas decadentes, galpões abandonados e jovens vestidos de preto. Este cenário que parece ser uma locação para alguma produção hollywoodiana sobre o fim do mundo, faz parte do cotidiano de jovens paulistanos que lotam diversas festas de techno da cena clubber todos os finais de semana, em antigos bairros industriais da cidade de São Paulo.

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A cidade em questão é eletrizante, feia e violenta, populosa e importante dentro do cenário econômico mundial. É dividida em diversas bolhas e pequenas subculturas, cada uma com seu estereótipo comportamental. Essa vibrante explosão de visões distintas faz desta cidade um perfeito cenário multicultural para o florescimento de estéticas urbanas, a exemplo da cena clubber atual com a emersão de dezenas de jovens designers, que nos últimos anos vem enriquecendo a cultura fashionista.

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A estética da cidade e das locações das festas reflete a decadência do sistema industrial, e consequentemente do capitalismo, influenciando o comportamento e a vestimenta de milhares de pessoas que frequentam esses encontros sonoros, disseminando em dezenas de festas com temáticas irônicas, anti-políticas e fora dos padrões, como as festas Capslock, ODD, Mamba Negra, Subdivisions, Vampire Haus, e o clube o D-edge, que é o templo da música eletrônica na cidade.

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Esses jovens são embalados pelo estilo musical que transformou a moda para todo o sempre: o Techno, surgido em meados anos 1990. O estilo musical se transformou num comportamento focado no hedonismo contemporâneo, cultuado pela estética e pela diversão, onde habitam pessoas com roupas peculiares e atitudes positivas. Nos últimos dois anos, em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, a moda da noite vem invadindo as ruas das cidades e expandindo essa subcultura em uma nova tendência comportamental.

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A maioria desses criadores são bem jovens, estão na casa dos 20 anos, e se inspiram no estilo, na personalidade e na atmosfera criada pelo consagrado estilista norte-americano Rick Owens. Assim como Owens, muitos deles se intitulam livres de rótulos sexuais, minimalistas e radicais. Separamos aqui um breve perfil de cinco jovens estilistas que vestem os clubbers paulistanos:

ALEX HONDA

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Um dos expoentes da criação fashion desse movimento é o estilista e performer Alex Honda. Sua aparência fora do comum – descendente de japoneses, tem o corpo tatuado até o rosto, e olhos pigmentados de preto -, esconde um menino doce, sensível e super criativo. Desde os idos de 2008 ele já criava suas próprias peças e era um dos personagens mais emblemáticos que frequentava festas como a Posh e a Vodoohop, que agitaram os tempos áureos do Baixo Augusta. Depois que a Capslock surgiu, Honda foi um dos primeiros performers, que sempre criava suas roupas com influências alienígenas ou de mangás japoneses. Suas criações ficavam na cabeça das pessoas e com o tempo ele passou a vender para os amigos. A demanda aumentou e hoje ele tem uma loja  na Rua Augusta, 837 (nos fundos da True Love Tatoo). Suas peças seguem a linha sportwear e são caracterizadas pelo corte elaborado que abusam de cores e sobreposições. É comum ver pessoas usando suas criações em festas como a Capslock, a ODD e Mamba Negra e Moving.

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BRUNO DLUGOZS

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Apesar de ser uma marca super jovem, é fácil encontrar numa festa mais de uma pessoa usando o mesmo look criado pelo jovem Bruno Dlugozs. Sua marca intitulada “Sem Título Projeto” é conhecida no meio por seguir os modismos atuais: oversized, minimalista, livre de gêneros, tamanhos e padrões. Praticando preços justos em peças de qualidade, suas criações rapidamente se espalharam pelos corpos dos frequentadores da noite underground paulistana. Suas peças usam cores escuras e ocres, utilizando tecidos leves em cortes geométricos e simples.  Outro destaque da produção de Dlugozs são os acessórios utilitários criados com pequenos recipientes, como colares, pulseiras, cintos e pequenas bolsas. É comum ver pessoas usando suas criações em festas como ODD, Tantsa, Subdivisions, Freak Chic e Capslock.

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VICTOR APOLINÁRIO

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A energia contagiante do jovem paulistano Victor Apolinário parece estar presente nas criações de sua marca, a Cem Freio. Ativista, gay, negro e vindo da periferia, sua produção de pequena escala está em ascensão. Suas roupas são consideradas agender, ou seja, podem ser usadas tanto por homens quanto por mulheres. Um dos destaques de sua criação é a peça única, feita sobre encomenda e pintada à mão. O estilista estreou na última Casa de Criadores, em 2016, semana de moda alternativa da cidade, chamando atenção para modelagens amplas em tecidos como moleton, jeans e malha. É comum ver pessoas usando suas criações em festas como Batekoo, Dando e ODD.

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ALE BRITO

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Queridinho pela turma da moda em São Paulo, Ale Brito começou a criar suas próprias roupas nos idos dos anos 2007. Na época ele trabalhava como vendedor na loja das Gêmeas na Galeria Ouro Fino, e fazia roupas para suas apresentações como DJ em festas de rock. Atualmente, Ale Brito ostenta uma das marcas mais desejadas do cenário underground e integra a equipe de estilismo da marca Ellus. O misto de industrial, urbano e esportivo são os elementos de sua receita de sucesso, que se aliam a um cartel de cores exageradas, transparências e cortes exóticos.

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RENATO RATIER

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Não podemos falar de moda clubber sem passar pela Ratier. A marca de Renato Ratier segue as influências estéticas do seu clube, o D-edge, um dos mais importantes clubes de música eletrônica do mundo. Há pouco tempo no cenário, a marca chegou causando furor entre os clubbers de plantão, que a cada estação esperam ansiosamente pelas novidades. Suas peças são caracterizadas pela funcionalidade, minimalismo e principalmente pela complexidade da construção, sofisticada e criativa. Com uma pegada brutal-chic, suas peças trazem estruturas geométricas remodeladas, matérias primas brutas e muitas sobreposições.

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Fotos: ®Reprodução

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