Nav icon
rashid
Cult +

O Tremor Musical do Expoente Rapper Brasileiro Rashid

Postado por Alisson Prando / 19 February, 2019

Rashid é um dos principais artistas de rap do país e ele quer elevar o gênero a outro patamar.

Aos 30 anos, Rashid, cujo nome de batismo é Michel Dias Costa, é considerado um dos expoentes do rap e hip hop brasileiro. Nas funções de produtor, compositor e rapper, o artista iniciou sua carreira nas batalhas de freestyle e hoje se apresenta por palcos ao redor do mundo:

“Ser homem e negro, na minha idade, significa que você contrariou as estatísticas. Caso seja mais novo, significa que além de encontrar caminhos de crescer emocionalmente e profissionalmente, a sobrevivência também é sua preocupação.

É lutar pra ter uma forma de garantir o pão, lutar pela própria garantia do pão e muito provavelmente, depois ter de lutar pra provar que aquele pão garantido é de fato seu.

rashid

O grande ponto é que o Brasil não tem problemas em ser racista, ele tem problemas em admitir que é. Isso coloca todo o povo negro numa posição em que você precisa denunciar todo ato racista no intuito de revelar a ferida pra que ela possa assim, talvez ser curada. Isso incomoda as pessoas porque ninguém quer ser o vilão, e aí a empatia faz falta, pra que pudessem perceber o racismo arraigado nos hábitos, no subconsciente.

Esse é o lado da luta, mas têm inúmeras heranças culturais que tornam o povo preto rico, histórica e espiritualmente. Também é preciso entender que isso sou eu falando, o Rashid, negro de pele clara devido a família miscigenada. Mas meus irmãos e irmãs que tem a africanidade mais presente na pele e nos traços, passam por questões ainda mais profundas que eu não passei, mas já testemunhei.”

Rashid tem dois álbuns lançados: “CRISE” (2018) e “A Coragem da Luz” (2016). Neles, o rapper tece conexões com lendas como Milton Nascimento e Lô Borges, além de trabalhar com artistas como Mano Brown, Criolo, Xênia França, Izzy Gordon, Srta. Paola, Godô, Max de Castro e Orquestra Metropolitana de São Paulo. Seguindo a tradição de artistas de Hip-Hop fashionistas, como Jay Z e Kanye West, ele comenta sobre sua relação com a moda, depois de fundar sua própria marca ‘Foco na Missão’ com moletons, camisetas, bonés e um merchandising completo para fãs:

“A moda tem um papel importante no Hip-Hop, ela expressa sua identidade. Primeiro como adepto de uma cultura urbana, segundo como indivíduo. De que jeito você coloca o boné, amarra ou não os cadarços, camisa lisa ou colorida, usa corrente ou não, etc. Todas essas coisas comunicam algo sobre sua personalidade, eu acredito.

rashid

Eu nunca fui um colecionador ferrenho ou alguém que está sempre de olho nas marcas do hype (hoje em dia olho mais as tendências porque tenho minha marca também). Me guio muito mais pelo conforto e confiança. A roupa que te deixa confortável naquele ambiente onde você está, você sendo você mesmo, e ao mesmo tempo te deixa confiante, se sentindo bem.

Tenho uma aproximação de longa data com a Nike, acho que várias das coisas que fazem são lindas, principalmente os Air Forces 1. Mas gosto muito da ousadia da Adidas e da tradição da Puma também, por exemplo. Tem umas marcas de high fashion que tão arregaçando, tipo Off White (que geral pira) e a Fear of God, mas ainda são meio distantes da rua tanto pelo preço, acesso ou até pelas peças. Mas são bem legais.

Enfim, embora eu seja dos mais clássicos ao me vestir, gosto de muita coisa e chapo no pessoal que tem um estilo mais ousado, tipo o Rincon.”

rashid

O rap e hip hop no Brasil tem grandes nomes na cena, como Rincon Sapiência, Don L, Mano Brown e Emicida, sendo uma das sonoridades mais consumidas nas plataformas digitais:

“Muita gente vem trabalhando para que o rap cresça. Também não tenho dúvidas de que as pessoas estão com a mente aberta para o que a gente tem a dizer. É isso que faz o rap crescer, a capacidade de conversar com o coração das pessoas, é o lance da identificação: ‘Parece que esse cara aí está falando da minha vida!’ Foi por isso que eu comecei a ouvir rap.”

rashid

Além de cantar, compor, rimar e produzir, Rashid agora também se aventura pela literatura, e por isso criou o livro “Ideias que Rimam Mais Que Palavras”, livro que rapidamente se esgotou com mais de 2 mil exemplares vendidos. Sobre os feitos que mais deixam o rapper orgulhoso em sua carreira, ele conta:

“Comecei mesmo nas batalhas de rima, na rua. Antes eu já fazia uns showzinhos, participava de uns concursos de grupos de rap, mas era tudo muito distante. Nas batalhas, as coisas começaram a ganhar outras proporções. Rolavam umas viagens pra batalhar, eventos maiores para públicos maiores e aí mais pessoas começaram a conhecer meu nome. Isso me incentivou a lançar músicas.

Em 2009 lancei minha primeira música solo (“Quando eu Morrer”) e de lá pra cá as coisas começaram a andar. Claro que não foi rápido assim, muito menos fácil. Já são 11 anos de Rashid na estrada.

Todos os trabalhos que lancei, do mais bem-sucedido ao menos, são motivo de muito orgulho. Cada um deles mexeu com alguém de uma forma diferente e essa é a missão. No momento, a menina dos meus olhos é o livro “Ideias Que Rimam Mais Que Palavras”, que lançamos esse ano.”

rashid

Sempre conectado nas tendências da música, Rashid agora diz que se tornou fã de Belchior depois de ler sua biografia, além de estar atento ao multi-artista Childish Gambino, artista negro que quebrou a internet com “This is America”:

“Acabei de ler a biografia do Belchior, então to num momento em que só dá Belchior no play (risos). Mas também tenho ouvido as coisas novas do Childish Gambino, Smino, Sir, Bas, etc. Disco novo da Gal Costa também está lindão.”

Fotos: ®Reprodução

O que você achou?