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Juventude
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As Diferentes Representações da Juventude no Cinema Moderno

Postado por Alisson Prando / 14 August, 2017

A fase mais complicada da vida é também a mais retratada no cinema. Nesta lista recordamos alguns filmes marcantes dos últimos 20 anos, com representações icônicas do despertar da juventude no cinema moderno.

A adolescência é um dos períodos mais complexos e conturbados na vida de qualquer pessoa. São inúmeros os questionamentos que perpassam por esse limbo da juventude: popularidade, independência, dinheiro, identidade, sexualidade e seu lugar no mundo.

Com isso em mente, selecionamos uma lista com 12 filmes. Dividida em duas partes, como se fosse yin e yang, ‘Good Youth’ traz recortes otimistas sobre a adolescência, enquanto ‘Bad Youth’ traz visões bem mais sombrias sobre o despertar da adolescência no cinema – em comum, ambas as listas têm ótimos filmes com temas e debates complexos. Difícil escolha qual assistir primeiro:

Good Youth

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

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Roteirizado e dirigido por Daniel Ribeiro, ‘Hoje eu quero voltar sozinho’ teve grande projeção nacional em 2014. A história perpassa a vida de Leo, um adolescente com deficiência visual que tenta encontrar seu lugar no mundo ao lado de uma mãe superprotetora, Giovana, sua melhor amiga do colégio, e Gabriel, novo aluno da escola que cria borboletas em seu estômago. O longa apresenta uma versão soft de busca de identidade e sexualidade na adolescência.

As Vantagens de Ser Invisível

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Com Ezra Miller, Emma Watson e Logan Lerman, ‘As Vantagens de Ser Invisível’ não podia ser mais perfeito: conta a história de um adolescente tímido e impopular que descreve a sua vida em uma série de cartas para uma pessoa anônima e explora as fases difíceis da adolescência, incluindo o uso de drogas e sexualidade. Dirigido por Stephen Chbosky, o filme recria uma cena do filme ‘Rocky Horror Picture Show’ e tem uma trilha sonora indie incrível como poucos outros filmes do gênero.

Cidades de Papel

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Centrada na vida de Quentin e sua enigmática vizinha, Margo, que gostava tanto de mistérios, que acabou se tornando um. Depois de levá-lo a uma noite de aventuras pela cidade, Margo desaparece, deixando para trás pistas para Quentin decifrar. A busca coloca Quentin e seus amigos em uma jornada eletrizante. Para encontrá-la, Quentin deve entender o verdadeiro significado de amizade – e de amor. Adaptação cinematográfica do livro de John Green e filme que marca a estreia de Cara Delevigne nos cinemas. O filme empolga ao humanizar as personagens, mostrando o verdadeiro valor da amizade, e também tirando aquele mito de que as pessoas por quem nos apaixonamos são perfeitas.

Juno

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Dirigido por Jason Reitman e protagonizado por Ellen Page, ‘Juno’ mostra situações de uma menina de 16 anos que engravida de seu companheiro de classe Bleeker, e desiste de fazer um aborto. Com a ajuda do pai, da madrasta e da melhor amiga Leah, a jovem adolescente procura o casal “perfeito” para criar seu filho, e encara situações delicadas e incomuns para sua maturidade. Tem clima de filme indie e trilha sonora recheada de ótimas bandas.

Boyhood

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Um filme experimental, feito ao longo de doze anos pelo diretor Richard Linklater, ‘Boyhood’ conta a história de um casal divorciado que tenta criar Mason, seu filho. O longa trata da infância até a adolescência do garoto, que cresce e amadurece em meio aos conflitos de seus pais – mostra de maneira própria e autoral a ascensão da Geração Z. ‘Boyhood’ tem elenco afiado, com os veteranos Ethan Hawke e Patricia Arquette. Richard Linklater também dirigiu os interessantes ‘Waking Life’ e ‘Before’, e assim como esses dois títulos, ‘Boyhood’ é monótono e filosófico.

O Monstro no Armário

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Com direção de Stephen Dunn, o filme canadense ‘Monstro do Armário’ conta a história de Oscar, um garoto talentoso para fotografia que está desesperado para escapar de sua cidade natal e memórias traumáticas da infância. O filme retrata como um divórcio pode minar as potências de uma criança e um adolescente, e também como um trauma sexual pode marcar a vida de uma pessoa – mas de uma maneira bastante leve e poética. O trunfo do filme fica à cargo de uma fotografia estonteante e uma trilha sonora impactante que conta com Allie X, Austra e Crystal Fighters.

Bad Youth

Kids

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Argumentado por Harmony Korine, “Kids” de Larry Clark também é um filme feito para aqueles que têm estômago. Ambientado numa New York que passa longe daquela retratada pelo cinema tradicional norte-americano, “Kids” traz um grupo de adolescentes conturbados que indiscriminadamente consomem drogas e nunca praticam sexo seguro. A genialidade de Larry Clark está em retratar os adolescentes como indivíduos que ao mesmo tempo em que se entendem e se encontram em grupo, também se perdem, devido a uma “educação” que lhes foi negligenciada. Nas palavras do próprio diretor: “Queremos mostrar uma adolescência que não está sendo vista, que é negligenciada pelos adultos: uma geração fantasma”. “Kids” carrega uma estética realista e desconstrói totalmente os adolescentes norte-americanos que estamos acostumados a ver no cinema.

Gummo

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‘Gummo’ é fruto daquilo que chamam de Cinema Cult, o filme tem uma estética perturbadora. Em estilo documental, passa-se na Xenia (Ohio), cidade devastada por um tornado. A cidade é imunda e desorganizada, bem como seus habitantes: homofobia, prostituição, toxicodependência, abusos sexuais, racismo, tortura de animais são situações banais e recorrentes ali. O longa é rico visualmente e também na trilha-sonora, há um momento catártico embalado por “Like a Prayer” de Madonna, rock clássico dos anos 50 e heavy metal, tudo para criar e enaltecer um freakshow niilista – a vida sem rumo, o vazio da juventude daquela cidade.

The Bling Ring

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“Bling Ring” tem a estética da Geração MTV. Videoclípitico e cheio de surpresas, a melhor atuação do longa fica a cargo de Emma Watson (que recentemente só tem assinado projetos incríveis). Diferente dos outros da lista, aqui drogas não são um problema, visto que essas substâncias já foram incorporadas no cotidiano desses jovens através da cultura de celebridades como Lindsay Lohan, Paris Hilton e Britney Spears – o ‘trio parada dura’ que estampava capas de tabloides americanos com noitadas insaciáveis. O ambiente é luxuoso, dialogando com a nossa atual obsessão a bens de consumo. Futilidade, consumismo, e vazio existencial.

Ken Park

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Vazio, religião, família como instituição falida, drogas, incesto, abuso, alcoolismo, crises de meia idade. Tudo isso acontece e perpassa o genial Ken Park. Através de quatro amigos que se conhecem, mas não conhecem os problemas um dos outros, o filme tem uma estética suja e fez com que muitos espectadores saíssem dos cinemas às pressas – em alguns países nem chegou a ser exibido. São cenas de sexo explícito e órgãos genitais eretos à mostra, tudo para exibir e retratar de maneira mais crua possível o quão hipócrita é a sociedade da falta de diálogo e da violência como método de relacionamento.

Mommy

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Quarto filme de Xavier Dolan, o diretor canadense prodígio, conta a estória de uma viúva sobrecarregada com a custódia em tempo integral de seu explosivo filho de 15 anos de idade que sofre de déficit de atenção. Enquanto tentam sobreviver, a nova garota do outro lado da rua, Kyla, benevolentemente oferece o apoio necessário. Juntos, eles descobrem um novo sentido de equilíbrio e a esperança pode ser recuperada. ‘Mommy’ é interessante porque mostra um quadro novo de famílias contemporâneas, onde os indivíduos cuidam um do outro. Uma das obras primas de Dolan, conta com uma explosiva trilha sonora POP, composta por Celine Dion, Oasis e Dido.

Prozac Nation

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Conta com a atuação impecável de Jessica Lange e Christina Ricci, respectivamente mãe e filha. O filme retrata de uma maneira bem fiel aquilo que pode ser considerado como borderline, depressão e outros dramas que vivemos durante a juventude. Baseado em um livro bem sucedido que conta com o mesmo nome. “Preciso de alguém para desligar o meu cérebro e ligar o meu coração”, diz a personagem principal num dos momentos mais grandiosos do longa.

Fotos: ®Reprodução

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