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Fashion

Segundo dia da Casa de Criadores reflete versatilidade masculina

Postado por Thássio Marcelo Aragão / 11 May, 2017

Do minimalismo urbano da Också ao streetwear pop de Felipe Fanaia, as marcas que se apresentaram no evento mostraram coragem e disposição para (re)pensar quem é o novo homem brasileiro. Acompanhe nosso review!

A terça-feira do dia 09/05 foi marcada por desfiles autorais na 41ª Casa de Criadores, primeira edição comemorativa do evento que celebra 20 anos em 2017. De olho no processo peculiar do “fazer moda”, as marcas buscaram no DNA o traço criativo que conduziu as diferentes coleções apresentadas na noite. Cada uma com sua proposta a fim de atender a pluralidade de estilos do consumidor moderno. De olho na passarela masculina tivemos:

Också

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Pensada a partir do ponto de vista de seus dois diretores criativos, Deisi Witz e Igor Bastos, a nova coleção “Inominada” continua a mesma narrativa que a marca vem investindo desde a concepção de suas primeiras peças. Descartando os estereótipos do que é roupa masculina e roupa feminina, a Också quer vestir pessoas e passadas mais de sete coleções, a label evolui continuamente seu processo criativo, desenvolvendo o conceito de unidade em mutação que constitui o código-fonte da marca.

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O novo trabalho apresentado na 41a edição da Casa de Criadores aprofunda esta ideia e traz uma estética minimalista e funcional, com o máximo de fluidez que oferece conforto urbano aos diversos corpos que vestem peças da marca. Foram usados como materiais o linho, malhas, veludo molhado, plume e o tecnológico tyvek, comumente usado em equipamentos de proteção individual em ambientes laborais.

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A Också sempre repensou a roupa no corpo de forma lúdica, interpretando novas silhuetas que se ajustam as necessidades do usuário. E essa funcionalidade foi transmitida aos acessórios desta coleção, como a pochete com shape mais seco e retangular, em tecido papel, com fitas reguláveis. Outros destaques são os calçados em parceria com a Melissa e uma mochila em lona preta dando continuidade na collab com a Artéria. A coleção se resume em formas amplas e soltas com caimento leve e desestruturado, sendo eclética suficientemente para atender os consumidores que vivem intensamente o mundo.

Felipe Fanaia

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No moodboard temos Cher, não a cantora mas a icônica personagem do filme “Patricinhas de Beverly Hills”, descrita pelo próprio estilista como superficial, rica e socialmente bem-sucedida. Assim como no longa, o desfile de Felipe Fanaia conta um drama adolescente, onde a protagonista vive o seguinte roteiro: ela é a blogueira de moda mais influente, em Beverly Hills. Em 2017 ela decide fazer um desfile relembrando sua época de colégio, de volta a 1995, fazendo releituras de jaquetas, parcas e calças nos mais variados tecidos, uma bagunça visual que a remete todas as influências daquela época. Dos seus próprios looks aos looks dos amigos, tudo vira referência na hora de montar sua história.

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Maior nome das referências pop na Casa de Criadores, Felipe Fanaia brinca com a moda e todas os clichês que os anos 90 tem a oferecer. Intitulada de “AS IF…”, a coleção é uma paródia divertida das tendências que estão em voga no streetwear de hoje, com direito ao moletom com capuz, calça tracksuit, bermuda super volumosa, xadrez vermelho preppy, amarração na cintura e o chapeuzinho pescador. Piscou os olhos e estamos numa máquina do tempo que nos leva ao universo nostálgico da moda noventista.

Tarcísio Brandão

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Se você chegou até aqui sem ter ouvido falar, Tarcísio Brandão é uma marca de slow fashion de produtos exclusivos, que tem como diferencial a parte têxtil e materiais, cuja origem e processo de produção respeitam critérios de comércio justo e de desenvolvimento sustentável. Além disso, inclui em seu trabalho a tecnologia aliada a produtos artesanais, roupas com conteúdo digital, com o foco na divulgação dos trabalhos artesanais brasileiros. Seu DNA consiste na busca da identidade brasileira na moda e seus variantes.

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Trabalhando na sua marca desde 2012, o estilista utiliza como referência nos processos de criação da marca as origens culturais brasileiras, fazendo um resgate a partir de uma leitura de moda. As peças possuem uma funcionalidade cultural e informativa presente nas diversas texturas, cores, formas e aplicações artesanais. Um trabalho delicado e atemporal que o designer busca preservar, frente ao desperdício descontrolado das redes fast fashion. Discurso válido e super atual!

Ellias Kaleb

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Delicada e performática, a nova coleção – Coleção Secreta de Ellias Kaleb – é sem duvidas uma das mais viscerais se tratando de mergulhar em seu processo artístico. A estética esta voltada ao mundo das flores como um paraíso existente porem distante do homem. Criando um universo poético, o estilista questiona o desfrutar do tempo, como se a vida fosse uma ampulheta que não para por nada e por ninguém. E o que é feito com os momentos?

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Partindo para uma observação humana, Ellias invoca um silêncio na sua coleção para ouvir melhor o parar do relógio e assim observar o mundo por outros aspectos. Esta é uma premissa que se faz necessário em tempos modernos e mecanizados. Quando foi a última vez que você parou para apreciar o seu redor.

Nesta edição o designer contou com a participação do Lucas Regal que produz botas de uma forma bem delicada e forte. Seguindo a narrativa do desfile, o estilista deduz que os sonhos foram feitos para estar acima das nuvens, mas os alicerces precisam ser fortes e são eles que seguram estes sonhos lá no alto.

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Com um trabalho que transita entre a expressão artística e o produto comercial, Ellias Kaleb é um dos filhos prodígios da Casa de Criadores, plataforma que serve como um alicerce que da suporte aos criadores que fazem moda além da roupa, impulsionando marcas independentes como a de Ellias. Afinal de contas, frente ao mercado de moda saturado de roupas que somos expostos diariamente, quem vai querer prosa quando se pode ter poesia? Essa é uma coleção que responde esse tipo de dilema.

Fotos: Felipe Rufino

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